Observatório do Cotidiano

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Governos do PT não aproveitaram o boom das Comodities

Em meados da década passada, até 2014, o Brasil e outros países da América Latina viveram uma abundância de recursos trazida pela alta internacional dos preços das commodities. Esses produtos, como petróleo, cobre, soja e minério de ferro, são a base de muitas indústrias de peso, e a China, uma de suas principais compradoras. 
Agora, a China passa por um momento de ajuste de sua economia para um ritmo de crescimento mais modesto que o da década passada – mas ainda assim colossal: Em vez dos 9% de anos atrás, agora o país cresce “apenas” 6%. 

(Foto:  O economista chileno José Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge)
Esse rearranjo chinês tem derrubado as bolsas de valores em todo o mundo, reflexo do pessimismo dos investidores com o quadro da economia e finanças globais para os próximos anos. Na América Latina, o que fica patente é que a região não aproveitou os recursos trazidos pelas commodities em alta para aumentar sua industrialização e diversificação produtiva, diz o economista José Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge e especialista em América Latina e Ásia. “Muitos dizem que a década perdida para a América Latina foi a de 1980”, afirma o professor. “Para mim, a década perdida foi a da alta dos preços das commodities e acesso facilitado às finanças. Não se fez praticamente nada pela indústria.”
Palma esteve em São Paulo na última semana para participar da sexta edição do Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics, ciclo de debates sobre a economia latino-americana organizado pela Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas. O professor falou ao blog:
As previsões do mercado para queda do PIB do Brasil este ano já beiram os 3%, o que marcaria o segundo ano seguida de retração. O que explica uma recessão tão forte? Faltou uma reengenharia do modelo, que precisava ser repensado. No fim da década de 1990, o Brasil já produzia commodities em nível mundialmente competitivo, já tinha serviços de tecnologia, grande capacidade de gerar emprego em serviços. O que faltava era ênfase na manufatura. Naquela época, assim como agora, o país já necessitava de outro tipo de câmbio, de uma política industrial, um investimento público mais alto, e uma regulação efetiva das finanças para colocá-la a serviço da economia real. Há muitos anos, esse repensar de modelo, para mim, já era óbvio. E ninguém fez nada. Seja porque não se considerava necessário ou porque era muito complicado, não sei. Faltou a percepção para a necessidade dessa reengenharia e vontade de pô-la em prática. Isso explica a desaceleração da economia brasileira, porque esse modelo já deu o que tinha que dar.
Agora, desde a desaceleração até a crise há um salto. Essa inércia se somou à queda dos preços das commodities, na qual China tem metade da responsabilidade; a outra metade são dos mercados financeiros globais. Eles [os mercados] já estiveram tão líquidos e havia escassez de ativos financeiros sólidos para orientar essa liquidez. Então as commodities, como tinham um valor intrínseco, passaram a ser muito interessantes, e se tornaram ativos financeiros. Essa valorização e a demanda da China explica a alta de preços das commodities. O problema é que a China se desacelerou e o mercado financeiro está com problemas internos de uma magnitude quase do nível de 2007 e 2008. Então, eles tiveram que se desfazer de suas posições de commodities, afetando o preço e golpeando fortemente países como o Brasil. A soma de desaceleração, queda do preço das commodities e complexidade e fragilidade dos mercados financeiros levou à crise. A quarta força que motivou a crise foi a incerteza política, que não ajuda ninguém.
O Brasil e seus vizinhos subaproveitaram o período de commodities em alta?Muitos dizem que a década perdida para a América Latina foi a de 1980. Para mim, a década perdida foi a década de alta dos preços das commodities e acesso facilitado às finanças. Não se fez praticamente nada. Essas duas condições eram uma base potencialmente muito sólida para essa que chamei de reengenharia do modelo. Um ponto de partida para se implantar uma política industrial, com um câmbio mais competitivo, mais investimento público. Quando há recursos é que podemos fazer coisas. Atualmente, em meio à grande instabilidade, não há muito grau de liberdade fora de manejar a crise. O pior país de todos foi o Chile. As empresas estrangeiras de cobre no Chile tiraram, em doze anos, o equivalente a um PIB chileno, como repatriação de recursos. Era o momento de usar esse dinheiro para industrializar a exportação de cobre para que o governo tivesse royalties para financiar educação e saúde, entre outras coisas.
O caso do Brasil é diferente, pois havia muitas empresas brasileiras exportando commodities, não tantas estrangeiras. Mas se formos olhar o que ficou desse período de vacas gordas, olhamos para trás e não vemos nada. Não vemos mais investimento público, reindustrialização, melhora nos serviços. É como se esse boom não tivesse acontecido. O que ficou foram agentes financeiros muito ricos, aumento do consumo importante. São reflexos que, em si, não vão produzir diversificação produtiva, incremento de capacidade. No fundo, perdeu-se uma oportunidade que ocorre uma vez por geração. Parte disso foi porque em toda a América Latina se imaginou que esses preços altos das commodities durariam para sempre.
E como o Brasil pode sair da recessão sem depender de um novo ‘boom’ de commodities? O primeiro passo é pensar que pacote de políticas e ações vão ajudar o país a superar a crise. Depois disso, vem o “como começar a crescer” de novo. Os preços das commodities seguirão baixos por um período considerável. Portanto, não haverá estímulo dessa frente. Por outro lado, a situação fiscal do Brasil é um desastre. No ano passado, o déficit público nominal brasileiro foi quase 9% do PIB, um número muito grande. É algo que vai complicar muito a saída da recessão. E a situação financeira, pelas perdas de grau de investimento, tem pouco acesso a recursos externos.
Neste momento, ter saldo na balança de pagamentos só se consegue com um crescimento de zero. A balança de pagamentos, que foi bastante afetada pela queda das commodities e pelo pouco crescimento das exportações de manufaturas, hoje está em uma situação relativamente tranquila. Mas só porque a economia está estancada.
O grande problema do Brasil agora é como retomar o crescimento com uma balança de pagamentos que possa ser relativamente sustentável, sem ter os preços altos da commodities. O câmbio a 4 reais é fundamental para reestimular outros tipos de exportações, de semimanufaturados e manufaturados. Não há possibilidade de o Brasil retomar o crescimento enquanto as exportações de semimanufaturados e manufaturados não tenham dinâmica. Isso para que eles fechem a balança de pagamentos, já que as commodities não cumprirão esse papel.
Mas o Brasil já está preparado para ser um país relevante na exportação de manufaturas? Sem dúvida que há um processo lento, mas há suficiente capacidade instalada ociosa para começar a exportar. As fábricas e máquinas estão aí. Mas, para manter essa dinâmica, é preciso acesso a crédito e investimento em novas atividades. Mas o fundamental é ter mais industrialização do setor exportador, mais industrialização das commodities. Esse é o grande nicho brasileiro no mercado global.
O baixo nível de investimento, tanto público quando privado, preocupa? Não só preocupa como é o grande calcanhar de Aquiles. É o ponto central que determinará se o Brasil pode sair da crise e, depois, pode crescer. Os investimentos público e privado são baixíssimos. Durante todo o ciclo de preços altos das commodities e de fácil acesso ao crédito internacional, o investimento por trabalhador no Brasil foi menor em termos reais que o vista em 1980. Na Ásia, diferentemente, era ao menos cinco vezes maior. E o problema é que o Brasil, e outros vizinhos, tem uma dívida corporativa, em dólares, muito alta. O cenário é ainda mais difícil com esse novo câmbio. Diferentemente do governo, que tem reservas, as empresas têm que ter recursos para pagar suas dívidas. Se olharmos todos os países emergentes nos últimos sete anos, o Brasil é o quarto onde a dívida corporativa privada em dólares cresceu mais. Aí se pergunta: O que fizeram com esses recursos, que não foram para investimentos? Agora, eles têm de pagar, sem ter havido investimentos, e a um câmbio a 4 reais, e uma taxa de juros internacional que sobe.
Como a queda do preço do petróleo afeta o Brasil e outros países da região? O efeito é muito diferente, por exemplo, para Chile e Brasil. O Chile não produz petróleo, e 20% de suas importações é de petróleo. Então a baixa do preço quase compensou a retração do preço do cobre. É 100% positivo e salvou a balança de pagamentos. Mas para o Brasil, que produz, que tem uma Petrobras, em projetos de investimento muito grande, o efeito é mais complexo e misto. Há aspectos positivos e negativos. Ajuda alguns setores, que usam muito petróleo para sua atividade, mas castiga fortemente a produção e outras atividades relacionadas ao petróleo.
Outro aspecto a se considerar é que o mercado financeiro emprestou muito dinheiro a empresas de petróleo. Hoje, essa indústria, com o petróleo ao redor de 60 dólares, tem dificuldades de pagar. A crise que existe nos bônus corporativos no mundo começou com o problema de petróleo, pois empresas de emergentes, como a própria Petrobras, se endividou tanto que essa dívida é muito frágil.
A desaceleração da China é, de fato, negativa para todos? Tem aspectos positivos e negativos. Em economia, uma lei fundamental é a de que quando algum país tem que fazer um ajuste e não tiver outra alternativa, é muito melhor fazê-lo do que procrastiná-lo. A China se complicou numa “rua sem saída”. Desde a crise de 2007, toda a dinâmica de crescimento era incremento de investimento, que chegou a 47% do PIB. No Brasil, a taxa de investimento é muito menos da metade disso. Daí uma pergunta se coloca: Até quando se pode crescer só subindo o investimento? Isso gera, por um lado, muita fragilidade financeira, porque a alta de investimento gera dívida. Por outro lado, gera capacidade produtiva, as famosas “cidades fantasmas” na China, que ninguém sabia o que fazer com elas.
É um processo de crescimento que funciona no curto prazo, mas logo se esgota. O gigante asiático tinha duas tarefas fundamentais: reordenar suas fianças e reorientar seu crescimento. Assim como o Brasil precisa de uma reengenharia de modelo, a China também – e a fez. Lá, ainda que o investimento seja de 47% do PIB, o dobro do Brasil, o consumo das famílias é de apenas um terço do PIB, a metade do Brasil. Tanto a China precisa orientar-se rumo a menor investimento e maior consumo interno, como o Brasil precisa fazer o oposto.
Para dar um dado, o estoque da dívida da China havia crescido de 9 bilhões a 28 bilhões de dólares em sete anos. Só o crescimento é cerca de todo estoque da dívida dos Estados Unidos. A China tem que reordenar suas finanças para reorientar seu crescimento, e está fazendo a lição de casa. Os efeitos colaterais, que são consequência, se refletem no preço das commodities; o mercado internacional tem medo da dívida corporativa chinesa – e boa parte dela é impagável. Ou seja, todo o ajuste tem efeitos, com impactos para todo o mundo. A queda das ações de bolsas chinesas assusta mercados europeus e americanos. O efeito colateral é importante, mas vem de um processo inevitável. Postergar-lo não ajudaria ninguém. O pouco otimismo que tenho com a economia mundial é que a China está fazendo o que precisa ser feito.
O que difere tanto os países da Ásia e da América Latina? Não é que não saibamos o que temos que fazer; é que nunca fazemos. Os chineses sabem o que querem fazer e colocam em prática. A Ásia tem o pragmatismo, esse sentido de realidade de quando há uma necessidade, se faz, custe o que custar, doa a quem doer. Nós ficamos na vontade, no debate, e nada é feito.
Qual a sua perspectiva para a Argentina,  sob o comando de Mauricio Macri? O melhor que posso desejar ao governo de Macri é que consiga fazer o ajuste necessário na Argentina, que é muito complicado e difícil. Ele herdou uma economia com um câmbio altamente sobrevalorizado, contas públicas quase mais difíceis que as do Brasil, com um setor exportador pouco dinâmico, uma inflação muito reprimida. A economia que ele recebeu foi o pior presente de grego de quase toda a América Latina.
Tomara que faça um ajuste ordenado. Há duas formas: Um tratamento de choque ou ordenado. Se fizer um ajuste desordenado, rápido, para culpar o Kirchnerismo de todos os problemas resultantes, pode ser uma situação perigosa. Mas, com um ajuste do câmbio ordenado, assim como o dos preços e dos finanças públicas, a Argentina pode conseguir voltar a ter uma situação de estabilidade econômica interna.
O melhor prognóstico que tenho para a América Latina para daqui a cinco anos é de que os países que estão em crise, sobretudo Brasil, México e Argentina – que são os grandes -, saiam dela.
Em 2018, talvez? Há tanta coisa que pode acontecer que é muito difícil prever. E sou muito pessimista com o mercado financeiro internacional, em parte devido aos títulos corporativos de países emergentes, mas por outras tantas razões. Creio que pode haver outra crise do tipo de 2008, que vai encontrar países em desenvolvimento com pouca munição, pois já gastaram toda. Esta nova crise podem nos pegar em uma situação mais difícil que a anterior. A crise não tem por que ser pior, mas sim a capacidade de dar respostas a ela. E, portanto, o Brasil tem problemas internos, mas é vulnerável a problemas externos. No curto prazo, as coisas piorarão, antes de melhorar.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Joaquim Barbosa ou Aldo Rabelo? Setores históricos defendem Lula

Por Zóbia Skartinni e Mirela Duprat
Depois de uma guinada à esquerda por influência de setores progressistas que começam a se fortalecer dentro do PSB após o rompimento com o governo Temer, o Partido Socialista Brasileiro começa a pensar em ser protagonista nas eleições presidenciais de 2018 e participar com amplas chances de vitória, a depender da situação da candidatura de Lula caso venha a ser impedida.
Setores históricos admitem a participação numa Frente com os demais partidos de esquerda como o PT, PCdoB e PDT, hipótese já levantada pelo ex-presidente Lula e passível de discussão dentro das bases socialista. No entanto esses mesmos setores admitem que no caso de uma eventual não candidatura de Lula o PSB deveria lançar um candidato numa outra frente com vários partidos progressistas para no segundo turno disputar com o apoio dos demais partidos. Admitindo como correta a estratégia do PCdoB quando lançou Manuela D’Ávila a presidência e do PDT que lançou Ciro Gomes, esse parlamentar do PSB acha que o partido deve fazer o mesmo.
Dois nomes despontam como os principais presidenciáveis do partido e todos muito ligados a esse projeto de uma forma ou de outra a ser debatido pelo PSB em seu próximo congresso nacional que acontece dentro de dois meses aproximadamente. Entre estes nomes e suas características estão na lista dos presidenciáveis do PSB:
Presidenciáveis do PSB em 2018:
Aldo Rebelo –  Ex-Presidente da Câmara dos Deputados, ex-ministro por quatro ocasiões, quando foi ministro da Articulação Política; do Esporte; da Ciência e Tecnologia e também da Defesa. Recém filiado ao PSB, é considerado cristão novo e ainda não empolgou as bases do partido para uma eventual candidatura a Presidente. Mas é sempre lembrado para tal por sua performance histórica.  Em certo momento até arrefeceu os ânimos da militância que via sua filiação com o fortalecimento dos setores mais à esquerda, no entanto ao aparecer como o candidato a vice-presidente de Rodrigo Maia num eventual impeachmam de Temer não empolgou muito a militância. Mas tem peso político e eleitoral dentro do PSB para uma candidatura.
 Joaquim Barbosa – Ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal – STF -; Jurista de ilibado reconhecimento, mas nem filiado é ainda ao PSB e se filiado manifesta interesse apenas em ser candidato a Presidente da República, o que deixa os setores histórico e progressistas de orelha em pé.
É bem visto por alguns setores nos estados mais conservadores, mas não consegue empolgar as bases progressistas que preferem Casagrande, Albuquerque ou Coutinho, e até Aldo Rebelo, nem anima a cúpula partidária que parece não confiar nos propósitos de Barbosa. Alguns setores acham que apenas usaria o partido para a candidatura presidencial e não seguiria as diretrizes partidárias. Mas tem defensores na direção e simpatia nas bases. O PSB do RJ pensa seu nome para uma eventual candidatura ao Senado, onde não encontraria muita dificuldade em se eleger.
Comenta-se nos bastidores do partido que líderes mais à esquerda do PSB, como os senadores João Capiberibe e Ledice da Mata; os deputados Júlio Delgado e Janete Capiberibe além de alguns dirigentes de base como o sindicalista Joílson Cardoso, secretário sindical do PSB e dirigente nacional da CTB, o ex-guerrilheiro e ativista dos direitos humanos, Acilino Ribeiro, da Secretaria Nacional de Movimentos Populares do PSB, do professor Adriano Sandri, dentre outras figuras históricas do partido buscam o apoio do presidente Carlos Siqueira para esse projeto de candidatura própria e\ou aliança com os partidos de esquerda em 2018.
Existe porem um outro fator decisivo que é, além de Carlos Siqueira, o peso político dos governadores Paulo Câmara, de Pernambuco e Rodrigo Rollemberg do DF, do vice-governador de SP, Marcio França e do prefeito de Recife, Geraldo Júlio, que podem até apoiar essa estratégia, mas ainda não se manifestaram publicamente neste enigmático jogo do xadrez político nacional e terão peso decisivo neste tabuleiro eleitoral onde os mesmos devem movimentar pedras em articulações que coadune também a política local e suas respectivas reeleições.
Márcio França deve assumir o governo de São Paulo caso Geraldo Alkmim seja o candidato do PSDB à Presidência da República. Ontem, em São Paulo, ocorreu o lançamento da candidatura de Márcio França ao governo de São Paulo, tendo recebido o apoio do prefeito João Dória. José Serra já anunciou a intenção de disputar o governo de São Paulo e deverá contar com o apoio de Geraldo Alkimin e do Ministro Kassab, seu fiel aliado.
O xadrez político se mostra complicado.
Fonte: Informa Brasília

segunda-feira, 10 de julho de 2017

FHC diz não ter espaço na agenda para se reunir com Temer

Valor Econômico
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não deve ter nos próximos dias uma conversa com o presidente Michel Temer (PMDB), que no fim de semana procurou o tucano para tentar agendar um encontro. 
Fernando Henrique, segundo sua assessoria, não confirmou por falta de espaço na agenda. 
Na noite desta segunda-feira, o ex-presidente se reúne num jantar em São Paulo com dirigentes e governadores do PSDB para discutir a crise política. 
Na terça, viaja para a Europa. 
Fernando Henrique considerou “muito ruim” a situação política atual, mas disse que não teria como antecipar uma posição oficial do partido. 
O ex-presidente comentou declaração do presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, de que a crise estava insustentável a cada dia, e que a saída do partido do governo seria inevitável. “Ele expressou sentimento da Câmara, sentimento da sociedade, mas não o de todos os governadores”, disse Fernando Henrique. 
O ex-presidente afirmou ver a possibilidade de antecipação das eleições, “mas só com a renúncia de Michel Temer precedida de conversa com todos os grandes partidos e não somente com o PSDB”.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Estaleiro Enseada busca novos negócios

Sem encomendas e com uma dívida bilionária para pagar, a empresa Enseada Indústria Naval planeja explorar uma nova atividade na área onde está construído o estaleiro Enseada Paraguaçu, no interior da Bahia. A ideia da empresa, que tem como sócia as empreiteiras envolvidas na Lava Jato Odebrecht, OAS e UTC, além da japonesa Kawasaki, é aproveitar a estrutura montada para construir navios – que custou R$ 2,7 bilhões – e criar um polo industrial e logístico. “Já temos o ativo físico, como o cais, guindastes, acesso e um terminal de uso privado licenciado, além das licenças ambientais de operação. Isso nos dá uma vantagem competitiva”, afirma o presidente da empresa Fernando Barbosa. Segundo ele, esse terminal seria usado para a importação de combustíveis, que hoje tem carência de infraestrutura em todo o Brasil. Na Bahia, diz o executivo, os grandes terminais de líquidos são ocupados pela operação de refinaria e pelo polo petroquímico. Apesar da infraestrutura construída no local, a empresa ainda teria de investir em tancagem e ter autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A nova empreitada, no entanto, depende de negociações em andamento com um novo sócio, diz Barbosa. “A partir dessa definição, em um ano conseguiríamos ser operacionais.” O executivo destaca, entretanto, que apesar da nova atividade, a estrutura do estaleiro será mantida, na esperança de uma reversão do cenário atual. O Enseada Paraguaçu está construído numa pequena parte do terreno de 1,6 milhão de metros quadrados. Desse total, 300 mil m² é reserva ambiental e o restante está disponível para novas construções. Sem contratos A busca por uma nova atividade tem o objetivo de rentabilizar o negócio da empresa, que teve um baque com a Operação Lava Jato e a crise da Petrobrás. A Enseada tinha contratos de US$ 4,8 bilhões com a Sete Brasil (empresa criada para intermediar a construção de sondas da Petrobrás para exploração do pré-sal) para construir seis navios sondas até 2020. Mas a Sete Brasil entrou em recuperação judicial e deixou de pagar, segundo Barbosa, R$ 1,7 bilhão para a empresa de serviços aprovados e medidos. Quando a crise atingiu a empresa e o setor, o estaleiro estava com 82% das obras concluídas e consumido investimentos de R$ 2,7 bilhões. No total, o empreendimento custaria R$ 3,2 bilhões. Hoje, embora seja operacional, o estaleiro está parado, com apenas 90 trabalhadores responsáveis pela manutenção dos equipamentos. Recuperação Com uma dívida de R$ 1,2 bilhão, sem encomendas e sem caixa, a saída para a Enseada foi entrar com pedido de recuperação extrajudicial, em janeiro deste ano. “Diferentemente da recuperação judicial, no extrajudicial a gente já entra com um plano de trabalho aprovado por, no mínimo, 64% dos credores. E conseguimos isso”, diz o presidente da empresa. De acordo com o cronograma, a empresa teria um tempo para negociar com os credores restantes para aderir ou não ao plano. Após esse período, o juiz homologaria a recuperação da empresa. Até agora, no entanto, isso não ocorreu. A expectativa era que isso ocorreria entre esta semana e a próxima, afirma Barbosa. Como o Enseada, outros estaleiros estão com problema no Brasil inteiro desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada. As denúncias envolvendo as empreiteiras (sócias de boa parte dos estaleiros) e a Petrobrás respingaram na Sete Brasil, que parou de pagar os estaleiros. Além disso, a Petrobrás reviu todo o seu plano de investimento. “Os estaleiros foram levantados com uma expectativa da Petrobrás de um cenário extremamente otimista. A realidade se mostrou diferente. Era um sonho que não tinha nenhum sentido. Hoje a expectativa é muito mais modesta”, afirma Barbosa. Fonte: Repórter Diário

Brasil perde mais de U$60 bilhões em investimentos com a crise

O presidente de uma empresa que atua na área de infraestrutura, com a forte oscilação do dólar e do mercado de ações, as equipes estão em reuniões para “reorganizar o orçamento”, traçando cenários de maior instabilidade. No dia seguinte às denúncias, o dólar avançou mais de 8%, na maior alta desde a maxidesvalorização, em 1999.
“As empresas devem suspender grandes investimentos, pois é preciso delimitar o impacto da crise. Os investimentos que poderão ser mais afetados são os atrelados a áreas reguladas, pois dependem do governo para que sejam operacionalizados, como os de infraestrutura. Os investidores vão tirar o pé do acelerador”, diz Cláudio Frischtak, sócio da Inter.B.
Segundo projeção da consultoria, dos R$ 60,5 bilhões em investimentos privados previstos para este ano, R$ 30,6 bilhões estão destinados aos transportes, como ferrovias, portos e aeroportos. Energia tem programados R$ 16,1 bilhões, e telecomunicações, outros R$ 11,8 bilhões. “Investir é uma aposta no futuro. Tem que ter previsibilidade”, destacou Frischtak.
Já Gomes, da Alvarez, teve de aumentar o expediente para atender aos fundos de investimento estrangeiros atrás de respostas sobre o atual momento. Como consequência, lembra que uma empresa, com atuação em concessões e em energia elétrica, suspendeu seu processo de venda, que estava marcado para o dia 29.
“A data de fechamento da operação foi cancelada. Um fundo de investimento dos EUA estava negociando a compra por R$ 1 bilhão e iria investir mais R$ 1 bilhão. Nessa crise, os fundos de investimento são mais reativos à instabilidade. A primeira reação é esperar. O setor mais afetado será o de infraestrutura, como saneamento, aeroporto e rodovia”, Gomes.
Ele cita ainda a suspensão do processo de compra de uma empresa brasileira de varejo com atuação nacional por uma americana. “A companhia dos EUA vai esperar de três a quatro meses para ver como vai se comportar o dólar, pois poderá ver o ativo brasileiro ficar mais barato. É um balde de água fria. Apesar das incertezas, no setor de petróleo e gás os investidores continuam interessados em participar dos três leilões previstos para este ano, dois no pré-sal e um no pós-sal.”
Carlos De Luca, da De Luca Consultoria e ex-presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), acredita que as empresas não vão perder a oportunidade de acessar os campos do pré-sal. “A notícia assustou. Acredito que pode ter algum dano, que pode preocupar alguma empresa que estaria vindo para cá pela primeira vez. Mas os investimentos são de longo prazo.”
Para Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base e Infraestrutura (Abdib), avalia que ainda é cedo para se tomar decisões. “Esperamos que a questão política seja resolvida o mais rapidamente possível.”
Para um executivo de aeroportos, a curto prazo, a tendência é que os investimentos que poderiam se concretizar por meio de leilões sejam adiados. Mas ele lembra que os projetos de infraestrutura são de longo prazo e, por isso, os investidores devem apenas retardar sua vinda ao país.

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