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segunda-feira, 28 de março de 2011

Diferenças douradas

Pedro Neshling*
Uma reflexão sobre dois ganhadores do Oscar um pouco atrasado
Os vencedores do careca dourado, aka Oscar, de melhores atores esse ano foram duas tremendas barbadas. Ninguém duvidou por um só instante que quem levaria as cobiçadas estatuetas para casa seriam Natalie Portman e Colin Firth por seus trabalhos em “Cisne Negro” e “O Discurso do Rei”, respectivamente. Mas refletindo sobre suas atuações acho que uma não se compara ao poder da outra.
A campanha por Portman foi agressiva. A verdade anunciada insistentemente por seu estúdio se pudesse ser resumida numa frase é que “o prêmio já era dela, não havia qualquer possibilidade de contestação, que só faltava ela ir lá receber e levar pra casa”. Pensei nisso alguns dias antes da festa. Ninguém queria nem saber o que as outras concorrentes haviam feito. O prêmio era de Portman e ponto final.
Quando vi “Cisne Negro” comentei aqui que o filme não me pegou. Especialmente por culpa da direção do Aronofsky, mas que Natalie “brilhava no parque de diversões para uma excelente atriz que lhe foi dado”. Portman é uma excelente atriz e realmente seu papel é tudo que uma atriz poderia querer para ambicionar um Oscar. Mas juro que com todos os méritos que ela tem, não vi motivo para tanta “certeza” em sua vitória como era apregoado aos quatro ventos. Sua entrega e verdade emocionais são incríveis, coisa de gente grande, mas nada que eu não conseguisse imaginar pelo menos outras três atrizes fazendo tão bem quanto.
Depois, sentado no cantinho da consciência, me peguei brigando comigo mesmo ao lembrar das cenas de dança. Impressionante o que a moça fez! Que idiota eu de achar que aquilo não era digno do tão importante prêmio. Um tremendo bestalhão eu.
Rá. Algum tempo depois da cerimônia de premiação começam a pipocar notícias aqui e acolá de que Portman não dançou nada. Foi tudo feito por uma exímia bailarina profissional, das maiores do mundo, e depois o rosto foi apagado e substituído pelo de Natalie. Que o estúdio ordenou que a moça se calasse e Portman jamais em nenhum momento se referiu a ela em nenhuma entrevista ou agradecimento. Seria tal vileza verdade?
Aham, minha cara meia-dúzia de 11 leitores. Vejam o vídeo abaixo que prova que sim.
Click no Video
Então volto ao ponto que comecei: acho que Portman é uma excelente atriz e seu trabalho merece todos os elogios. Mas não o considero tão definitivo e arrebatador quanto ficou combinado.
Já Colin Firth... A atuação do colega de premiação da cisne computadorizadamente dançante é na minha opinião a síntese da perfeição, se é que isso existe. Aliás, a dele e de seu colega Geoffrey Rush, esse último indicado a coadjuvante e que não levou. Firth dá vida a dificuldade do Duque de Iorque de falar com tal verdade que em momento nenhum se vê a estrondosa técnica necessária para isso. São dois mestres destilando talento a cada fotograma, em cada olhar, respiração, palavra dita (ou não!), em suma, um deleite. O que esses caras fazem em cena é de um refinamento acima de qualquer comentário. Obra de mestres.
Enfim, arte não é competição e os dois ganhadores do mais importante prêmio da indústria cinematográfica esse ano são dois grandes merecedores. Mas as sutilizas por trás da carpintaria de seus trabalhos, para mim, são colossalmente dispares e louváveis de maneira distinta.
* Ator, dramaturgo e diretor teatral

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