Mariana Sant'Anna*
As recentes declarações de Luciano Coutinho, presidente do BNDES, com críticas ao fato de o governo ter priorizado o combate à inflação e abandonado o câmbio refletem a divisão que existe dentro da equipe econômica em relação à essa decisão.
Há uma queda de braço muito evidente e que já chegou ao conhecimento do Palácio do Planalto.
De um lado, há o grupo que defende a ideia de não se fazer nada em relação ao câmbio. O governo tem cálculos indicando que, se o câmbio atingir a faixa de R$ 1,55 ou R$ 1,50, o Banco Central não precisaria subir muito os juros.
Os defensores dessa tese, que parece estar prevalecendo até agora, são Antonio Palocci, o Banco Central e Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
Mas há também o grupo que defende uma ação mais enérgica em relação ao câmbio, um aprofundamento das medidas tomadas até agora, mas sem a adoção de controle de capital.
Os maiores advogados dessa política de uma ação mais enérgica para frear a queda do dólar são Fernando Pimentel, Guido Mantega, e Luciano Coutinho.
A grande preocupação desse segundo grupo é com a ameaça de desindustrialização do Brasil. Com o câmbio a R$ 1,50, o industrial brasileiro iria preferir importar o seu próprio bem do que produzi-lo.
A presidenta Dilma Rousseff ainda não tomou uma decisão. Há bons e fortes motivos para os dois lados.
A inflação pode prejudicar a sua popularidade, mas o câmbio pode gerar desemprego
Por enquanto, tudo leva a crer que o governo preferiu jogar a toalha em relação ao câmbio, mas são impressões.
O que se sabe, no entanto, é que tudo que a Dilma não quer é que os seus ministros debatam essa questão em público.
*Jornalista do portal IG


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