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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Será que existe esse negócio de "vinho para mulheres"?


Por Elin McCoy | Bloomberg
Indiana, coreana, alemã e francesa com seus vinhos: será que as mulheres precisam mesmo de um vinho "para elas" ou a indústria vinícola vem é errando feio no marketing e abusando do uso de clichês? Última alternativa é mais provável
Freud quebrou a cabeça para tentar encontrar uma resposta para "o que as mulheres querem". Passados 90 anos, alguns no setor de vinhos acham que descobriram. Sério mesmo? De acordo com publicitários das marcas de novos "vinhos para mulherzinhas", queremos ser magrinhas e balançar nosso cabelo animadamente, enquanto escolhemos garrafas adequadas para acompanhar não algum determinado prato, mas nosso estado de ânimo. Também gostamos de vinhos fáceis de beber, com um toque malicioso de doçura. Sapatos de salto alto são as estrelas de nossas fantasias.
Bem, talvez quanto aos calçados eles tenham acertado. Mas as fotos nos rótulos da produtora canadense de vinhos Strut, mostrando pernas perfeitas, longas e bem torneadas saindo de curtas saias não seriam algo mais pertencente ao reino da fantasia masculina? Só de olhá-las, me dá vontade de deixar de lado qualquer bebida e ir direto para a academia.
Nos últimos anos, o mundo do vinho finalmente descobriu que as mulheres são um cobiçado nicho de consumo. Hello? Quase 60% dos consumidores de vinho nos EUA são mulheres, de acordo com o "2011 Wine Handbook", do Beverage Information Group.
É por isso que tantas empresas vêm lançando linhas de vinhos para garotas. A maioria tem como alvo mulheres entre 21 e 34 anos, mas seus esforços publicitários frequentemente tratam esse público como se não tivesse mais refinamento do que um grupo de estudantes universitárias nas férias.
Recentemente, um colosso mundial, a Treasury Wine Estates, lançou quatro vinhos dentro do selo "Be.": Flirty (algo como, "tendendo ao flerte", em inglês), um moscato rosé; Bright (brilhante), um pinot gris; Fresh (fresco), um chardonnay sem carvalho; e Radiant (radiante), um riesling.
Parece que as chamadas mulheres do novo milênio supostamente só recorrem a vinhos quando estão de alto-astral, não quando estão cansadas e irritadiças no fim do dia. O site da Treasury Wines descreve o humor do pinot gris: "Sua disposição ensolarada [do vinho] sintoniza sua [do consumidor] trilha sonora nos sons tranquilizantes de uma banda".
Essa nova visão de marketing também presume que todas as mulheres são obcecadas com dietas. Em abril, chegaram às prateleiras três vinhos da linha Skinnygirl, da Beam Global Spirits & Wine Inc., com menos calorias do que o normal. A empresa sustenta que um copo com pouco menos do que 150 ml de qualquer vinho da Skinnygirl tem cem calorias. Normalmente, a maioria dos vinhos tem entre 110 e 125 calorias, a não ser os mais doces, de sobremesa.
Os três cortes (branco, tinto e rose) para beber "sem culpa" foram os primeiros vinhos lançados pela Skinnygirl. Antes disso, a empresa vinha produzindo apenas coquetéis prontos para beber.
A loja de vinhos Mister Wright Fine Wines & Spirits, de Nova York, tem o rosé disponível para venda, mas até agora o vinho não vem exatamente voando das prateleiras, segundo a gerente Jodie Leishman. Ela também oferece outra marca "divertida" de vinho para mulheres, a Mommy's Time Out (hora de descanso para a mamãe, em inglês). "As mães compram como piada, quando levam os filhos para brincar com grupos de crianças [e encontram-se com outras mães]", diz Leishman. "Elas compram pelo nome, não pelo vinho."
Barbara Insel, presidente da Stonebridge Research, uma empresa de consultoria de vinho em St. Helena, Califórnia, diz que as motivações de homens e mulheres são muito diferentes. "Em testes com grupos de consumidores, as mulheres dizem que compram os vinhos para acompanhar comidas, para relaxar, beber com amigos, se divertir. Os homens, por outro lado, dizem que bebem pela saúde, mas extraoficialmente, admitem que compram vinhos para impressionar os amigos."
A marca de vinhos Middle Sister reflete essa abordagem de estilo de vida, segundo Mary Ann Vangrin, uma das três sócias. Ela diz que as mulheres procuram vinhos que proporcionem uma conexão emocional. Seus dez vinhos têm nomes fortes, como Drama Queen (rainha do drama, em inglês; um pinot gris), Smarty Pants (sabe-tudo, um chardonnay) e o mais vendido Rebel Red (vermelho rebelde; um corte). Todos compartilham uma espécie de estilo "sem aroma".
A Deutsch Family Wine & Spirits, que nos proporcionou o onipresente Yellowtail, lançou seu próprio vinho voltado para as mulheres, o Flirt. Sua abordagem é óbvia, mas mais sutil e um tanto menos constrangedora do que as outras marcas. Imagine um anuncio de batom. Quase faz me esquecer da questão do gosto.
Experimentei uma seleção de todos esses vinhos, em teste cego, juntamente com alguns "vinhos não femininos". O que posso dizer? As marcas para mulherzinhas tinham sabor de vinhos comerciais baratos esterilizados.
Conclusão? Pelos que custam essas garrafas bonitinhas e ordinárias, as consumidoras poderiam ter um vinho de verdade, daquele tipo que até os rapazes gostam.

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