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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Haddad precisa importar um baiano?

Está causando estranheza entre figuras da chamada inteligência paulistana. Fernando Haddad precisava importar um baiano --Juca Ferreira-- para secretário da cultura? Não tinha ninguém aqui da cidade habilitado ao cargo, capaz de conhecer melhor os detalhes da cidade? O fato de ele ter sido ministro torna-o naturalmente competente para um cargo que, a rigor, tem um orçamento bem menor e, teoricamente, mais simples? É mesmo mais simples? Juca vai aprender rapidamente os códigos locais?

Lembremos que, neste ano, São Paulo foi considerada uma das principais capitais culturais do mundo, segundo avaliações internacionais. E é um dos motores da vocação paulistana --e, mais do que isso, compõem a indústria da economia criativa. Ou seja, é um cargo estratégico --ainda mais porque, na visão do futuro prefeito, o uso de espaços culturais devem ser integrados às escolas, formando uma malha educativa.
Se ele vai ser bom secretário, vamos observar. O fato de ter sido ministro da Cultura não significa um passaporte. É uma incógnita. Haddad resolveu apostar --e o risco é alto. É alguém que já vem com desvantagens.
Mas ser de fora, nesse caso, tem algumas vantagens. Primeiro, ele não é vinculado a nenhuma das panelinhas culturais locais. Segundo, Juca vem de uma cidade em que a cultura está nas ruas --e uma das coisas que mais precisamos nesta cidade é abrir mais e mais espaços na rua para as manifestações artísticas.
A São Paulo que se projeta como uma das capitais culturais do mundo deve ser cosmopolita, aberta, marcada pela diversidade. Não importa de onde o secretário venha. Importa se ele vai fazer uma boa gestão.
Quanto mais talentos atrairmos, melhor.


Sou mesmo xenófobo?

O deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) ajudou a movimentar ontem ataques contra mim nas redes sociais por causa da coluna que escrevi sobre o futuro secretário da Cultura de São Paulo, Juca Ferreira. Fui acusado de xenófobo.
Só posso atribuir a incompreensão sobre a coluna a dois fenômenos que se reforçam nas redes: a dificuldade de interpretação de texto, derivada de carências do ensino básico, combinada com a leitura apressada. Muitos leram apenas o título provocativo para levantar o debate e se deram por satisfeitos.
Basta ler a coluna para ver que, na verdade, eu defendo exatamente o contrário do que gente como o deputado diz que eu defendo.
O que fiz foi expor e criticar o incômodo que brotou em parte do meio cultural paulistano pelo fato de Fernando Haddad convidar alguém de fora.
E aí comentei que ser de fora pode ser até bom para a cidade. E, no caso de Juca, ainda coloquei que, por ser baiano, ele traz uma visão cultural que, talvez, possa ajudar São Paulo. E por vir de outra cidade talvez não fique refém das panelinhas culturais locais.
Escrevi que uma cidade que se pretende cosmopolita como São Paulo deveria apreciar a diversidade e, portanto, atrair talentos de todos os lugares.
Por incrível que pareça, conseguiram ver nisso xenofobia.
Mas eu vejo incapacidade de ler um texto até o fim. Ou de entender. Não sei o que é pior.
*
Aliás, meu pai, pernambucano, foi educado em Salvador. Minha mulher é baiana. Meu guia intelectual - o educador Anísio Teixeira - é baiano. Minha visão sobre aprendizagem está fincada no conceito de escola-parque, inspiração para que eu ajudasse a desenvolver com pedagogos e comunicadores o conceito de bairro-escola.
Para completar, fui criticado aqui pelos linchadores por ter defendido, em outra coluna, que São Paulo tem atraído tantos talentos baianos que deveríamos pagar royalties para a Bahia.
Gilberto Dimenstein
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila 

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