Escrevo debaixo do mais incômodo
barulho de bate-estacas, serrotes e outras tralhas, que estão sendo utilizadas
para a inadequada e indecente construção de um prédio, de 18 andares, trinta e
poucos apartamentos, na esquina (cotovelo) da Alameda Capimirim com a Princesa
Leopoldina.
A Rádio Metrópole
vem bradando contra essa edificação, que vai inviabilizar o já tumultuado
trafego dessa Avenida, bem assim subida de acesso para a Igreja da Graça. Uma
calamidade, que vai ser perpetrada nesta terra "de todos nós", onde
tudo é possível, graças à desgraçada falta de autoridade dos que a
comandam.
Como não protestar
quando, por comodismo ou mesmo preguiça, tantos se calam indiferentes a esses
desmandos?
Salvador, minha
gente, está entregue à própria sorte e , os que nela moram, sejam filhos da
terra ou não, reféns de atitudes insensatas, de "liberações absurdas, por
parte do poder municipal, conluiado com interesses comerciais, inteiramente
espúrios, de certos e determinados donos das "empreiteiras".
É óbvio que não
adianta protestar, de clamar no deserto de surdos, em meio aos poucos que têm a
coragem de bradar contra esse estado de coisas.
Quase todos os
políticos que aqui atuam ou dependem dos votos dos soteropolitanos para
ocuparem a "estranha" Câmara de Vereadores de Salvador, só pensam em
faturar alto para pagar suas despesas pessoais e ter, em torno de si, inúmeros
assessores que nada fazem, ou porque não nada sabem ou não têm mesmo o que
fazer. São fantasmas que vivem do erário público, pagos regiamente pelos
contribuintes.
Para membros dos
partidos no poder, e que não foram eleitos, por esse ou aquele motivo,
providenciam-se as sinecuras, cabides de emprego, que os compensam das derrotas
nas urnas, como se nós todos fossemos responsáveis pelos seus insucessos.
Não é à toa que as
lutas se intensificam ao sabor dos interesses dos grupos majoritários, a fim de
promoverem a disputa acirrada pela presidência da UPB (União dos prefeitos da
Bahia), "instituição" que só interessa aos que pretendem lucrar com
essa "suposta atividade", absolutamente inoperante, porque nada
realiza de produtivo.
Que dizer a mais,
da mais contundente e revoltante dessa "miscelânea" de absurdos que
se efetivam em nossa cidade? Que falar do inoperante "ferry boat",
"responsável", em grande escala, pela travessia para Bom Despacho? E
a "segurança" de nossas lanchas?
Que é feito desta
terra "vocacionada" para o turismo, na qual, o brasileiro de classe
média não pode se aventurar a fazer "turismo milionário", porque
tudo, absolutamente, tudo é fruto da grande exploração que aqui campeia?
É flagrante o
número cada vez menor de visitantes, que se "atrevem" a enfrentar os
preços praticados em Salvador porque outros lugares são mais aprazíveis,
oferecem mais conforto, por mais baixo custo?
Falta a última para
completar o meu rosário de amargura. A propalada Arena Castro Alves,
inadmissível por todos os títulos. Esse desmando não se pode aceitar, custe o
que custar, sob nenhum título. Não adianta a SETUR, ou quem mais seja,
pretender gastar 25 milhões numa obra que o povo repudia. Outros espaços nas
proximidades, poderiam ser utilizados, como, por exemplo o do Cinema Pax,
Excelsior e o finado Jandaia. Por que não se providencia a utilização dessas
construções que, devidamente reparadas e equipadas, poderiam servir, como
serviram, no passado, à nossa gente?
Enquanto isso, as
"lavagens "e as "feijoadas" pipocam por toda a cidade do
Salvador, porque representam ganhos fáceis e substanciais para os
"promotores", fabricantes de alegrias pagas e bem pagas, que tomam
conta desta aldeia de bugres.
Vivemos de
"representações", de palcos, de estreias, sob a luz dos holofotes, de
caras lambuzadas de falta de vergonha.
Escândalos aquecem
o Brasil de ponta a ponta. Se assim não fosse, Renan Calheiros não estaria na
bica de presidir o Congresso Nacional. Ou seria? Bem, por hoje está de bom
tamanho a revolta que me invade o peito e esquenta a cabeça com o barulho
incômodo e persistente da "projetada": Mansão Alameda
Capimirim".
Consuelo Pondé de
Sena - Presidente do
Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da
Bahia


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