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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sob intensa poluição sonora e outras mazelas

Consuelo Pondé De Sena*

Escrevo debaixo do mais incômodo barulho de bate-estacas, serrotes e outras tralhas, que estão sendo utilizadas para a inadequada e indecente construção de um prédio, de 18 andares, trinta e poucos apartamentos, na esquina (cotovelo) da Alameda Capimirim com a Princesa Leopoldina.
A Rádio Metrópole vem bradando contra essa edificação, que vai inviabilizar o já tumultuado trafego dessa Avenida, bem assim subida de acesso para a Igreja da Graça. Uma calamidade, que vai ser perpetrada nesta terra "de todos nós", onde tudo é possível, graças à desgraçada falta de autoridade dos que a comandam. 
Como não protestar quando, por comodismo ou mesmo preguiça, tantos se calam indiferentes a esses desmandos?
Salvador, minha gente, está entregue à própria sorte e , os que nela moram, sejam filhos da terra ou não, reféns de atitudes insensatas, de "liberações absurdas, por parte do poder municipal, conluiado com interesses comerciais, inteiramente espúrios, de certos e determinados donos das "empreiteiras".
É óbvio que não adianta protestar, de clamar no deserto de surdos, em meio aos poucos que têm a coragem de bradar contra esse estado de coisas.
Quase todos os políticos que aqui atuam ou dependem dos votos dos soteropolitanos para ocuparem a "estranha" Câmara de Vereadores de Salvador, só pensam em faturar alto para pagar suas despesas pessoais e ter, em torno de si, inúmeros assessores que nada fazem, ou porque não nada sabem ou não têm mesmo o que fazer. São fantasmas que vivem do erário público, pagos regiamente pelos contribuintes.
Para membros dos partidos no poder, e que não foram eleitos, por esse ou aquele motivo, providenciam-se as sinecuras, cabides de emprego, que os compensam das derrotas nas urnas, como se nós todos fossemos responsáveis pelos seus insucessos.
Não é à toa que as lutas se intensificam ao sabor dos interesses dos grupos majoritários, a fim de promoverem a disputa acirrada pela presidência da UPB (União dos prefeitos da Bahia), "instituição" que só interessa aos que pretendem lucrar com essa "suposta atividade", absolutamente inoperante, porque nada realiza de produtivo.
Que dizer a mais, da mais contundente e revoltante dessa "miscelânea" de absurdos que se efetivam em nossa cidade? Que falar do inoperante "ferry boat", "responsável", em grande escala, pela travessia para Bom Despacho? E a "segurança" de nossas lanchas?
Que é feito desta terra "vocacionada" para o turismo, na qual, o brasileiro de classe média não pode se aventurar a fazer "turismo milionário", porque tudo, absolutamente, tudo é fruto da grande exploração que aqui campeia?
É flagrante o número cada vez menor de visitantes, que se "atrevem" a enfrentar os preços praticados em Salvador porque outros lugares são mais aprazíveis, oferecem mais conforto, por mais baixo custo? 
Falta a última para completar o meu rosário de amargura. A propalada Arena Castro Alves, inadmissível por todos os títulos. Esse desmando não se pode aceitar, custe o que custar, sob nenhum título. Não adianta a SETUR, ou quem mais seja, pretender gastar 25 milhões numa obra que o povo repudia. Outros espaços nas proximidades, poderiam ser utilizados, como, por exemplo o do Cinema Pax, Excelsior e o finado Jandaia. Por que não se providencia a utilização dessas construções que, devidamente reparadas e equipadas, poderiam servir, como serviram, no passado, à nossa gente? 
Enquanto isso, as "lavagens "e as "feijoadas" pipocam por toda a cidade do Salvador, porque representam ganhos fáceis e substanciais para os "promotores", fabricantes de alegrias pagas e bem pagas, que tomam conta desta aldeia de bugres.
Vivemos de "representações", de palcos, de estreias, sob a luz dos holofotes, de caras lambuzadas de falta de vergonha. 
Escândalos aquecem o Brasil de ponta a ponta. Se assim não fosse, Renan Calheiros não estaria na bica de presidir o Congresso Nacional. Ou seria? Bem, por hoje está de bom tamanho a revolta que me invade o peito e esquenta a cabeça com o barulho incômodo e persistente da "projetada": Mansão Alameda Capimirim". 
Consuelo Pondé de Sena - Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia


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