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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Eike e Dilma: O "X" da Questão

Osvaldo Campos Magalhães*
A crise de credibilidade de Eike Batista e de suas empresas “X” transformou, em pouco mais de um ano, motivo de piada nas redes sociais, o megalomaníaco sonho do empresário em se tornar o homem mais rico do mundo, superando Carlos Slim, Warren Buffet e Bill Gates.
A fortuna pessoal de Eike Batista atingiu um pico de US$ 34,5 bilhões a um ano atrás e despencou para cerca de US$ 2 bilhões em junho de 2013.
A responsabilidade pelo colapso do grupo EBX deve ser atribuída ao estilo de administração, da maneira como Eike Batista administra e empreende suas empresas.  O mercado reagiu às repetidas falhas de suas empresas em cumprir as metas de produção estabelecidas, com destaque para a OGX, que explora petróleo no litoral brasileiro.
Esta crise, afeta também a economia brasileira, a bolsa e a imagem do país. Sem falar nos bancos estatais, como o BNDES e a Caixa Econômica, que juntos emprestaram mais de R$ 6 bilhões ao empresário.
Coincidindo com a perda de credibilidade das empresas X e do empresário Eike Batista, também a economia brasileira e sua presidenta atravessam momento de crise, como atesta a última pesquisa da CNI que mostrou perda de 27% no índice de aprovação de Dilma Rousseff.
A capa da revista “The Economist”, que retratava a economia brasileira como a imagem do Cristo Redentor, decolando como um foguete, e o impressionante enriquecimento do empresário Eike Batista durante os oito anos de governo Lula são fatos emblemáticos.
Lembremos que o crescimento da economia brasileira entre os anos de 2004 e 2010 decorreu basicamente de condições inicias favoráveis resultantes das reformas econômicas dos anos 90 que tornaram a nossa economia mais eficiente e das condicionantes externas favoráveis, com destaque para a demanda chinesa por commodities.
Os programas de distribuição de renda e o aumento do crédito consignado, aproveitando a estabilização monetária e o baixo endividamento das famílias impulsionaram as vendas no comércio e os setores de serviços e construção civil, intensivos na utilização da mão de obra, resultando num quadro de crescimento econômico e queda nos índices de desemprego.
O Brasil de Dilma Rousseff, assim como as empresas X , do empresário Eike Batista vivenciaram momentos de euforia. A renda e o emprego aumentaram, os juros caíram e expansão do emprego e do consumo fez surgir uma nova classe média. O sonho de um “Brasil Grande”, parecia se materializar. Assim como as empresas X, o estabelecimento de metas ambiciosas para o PAC – Programa de Aceleração de Crescimento era a tônica dominante. Metas, aliás, nunca alcançadas, como as das empresas X.
As metas de investimento na expansão da infraestrutura e do parque industrial não sendo cumpridas, atreladas à sobrevalorização do Real e a uma política de incentivo ao consumo vem resultando em crescimento no déficit das contas correntes e no aumento dos índices inflacionários.
Assim como as empresas X, e os sonhos megalomaníacos do empresário Eike Batista, o Brasil vem fazendo escolhas equivocadas. Ao invés de investir na infraestrutura de transportes urbanos, no saneamento e na saúde pública, privilegiam-se projetos como o do Trem Bala, da transposição do rio São Francisco e na importação de médicos. Os gastos bilionários com as realizações de eventos esportivos como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas de 2016 demonstram o equívoco das prioridades dos nossos governantes. A máxima que parece ainda vigorar é a do antigo Império Romano, que para agradar a população adotava “Pão e Circo”. Nos dias atuais substituídos por “Bolsa Família e Arenas”
As recentes manifestações públicas decorrentes da insatisfação da população com os serviços públicos, como transportes e saúde parecem sinalizar para o final de um ciclo. A população indignada passou a exigir “padrão FIFA”, para os serviços públicos.
O sonho de Eike Batista em se tornar o “homem mais rico do mundo”, parece quase impossível agora, bem como, o sonho do Brasil ingressar no “primeiro mundo”, mais uma vez, está sendo postergado. 
*Osvaldo Campos Magalhães, Engenheiro Civil e Mestre em Administração ( UFBA) é membro do Conselho de Infraestrutura da FIEB

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