Reflexões e artigos sobre o dia a dia, livros, filmes, política, eventos e os principais acontecimentos

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Furacão Brasil



wagner-cunhaTido como principal articulador do governo Dilma Rousseff (PT), o recém-nomeado ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, começou a articular para evitar o impeachment da petista. Segundo a coluna Expresso, da revista Época, o ex-governador da Bahia se encontrou com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), na Base Aérea de Brasília, na terça-feira (13). O encontro aconteceu por volta das 20h30 e, de acordo com a publicação, teve como objetivo evitar o processo de impeachment contra Dilma.  Na semana passada, eles já haviam se reunido na residência oficial de Cunha. Ao peemedebista, acusado de possuir contas não declaradas na Suíça, interessa costurar apoio político para tentar preservar seu mandato.

________________________________________________________________
A frase que me chega à memória é do político mineiro Francelino Pereira, líder do governo Geisel na ditadura militar, ao questionar: “Afinal, que país é este?”. Continua valendo a mesma interrogação dos anos 70 com os acontecimentos que se desenrolam.Depois da terça-feira última, pouco a pouco a nuvem pesada vai se dissipando sem que isso signifique que o cenário político esteja a melhorar, muito pelo contrário. As interpretações são muitas e as incertezas permanecem, a começar pela possibilidade de impeachment para a presidente. Não de imediato como supunha a oposição. Dilma pode ganhar fôlego até a próxima semana, ou até quando o novembro chegar, quem sabe quando o ano novo brilhar. Houve um momento em que as labaredas se elevaram, a partir das liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal e, só depois com os esclarecimentos, o clima melhorou um pouco.

A presidente Rousseff comemorou as três liminares do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça, mas deveria esperar mais tempo para se alegrar, e não no primeiro momento ao chegar a decisão das liminares do ministro Teori Zavascki e da ministra Rosa Weber. Bradou, então, a sua frase predileta como costuma fazer nas últimas semanas: “vencemos o golpismo”. Do outro lado do Palácio do Planalto, no Congresso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, sofre tanto quanto Dilma. Foi mais sensato ao ser questionado se admitiria conversar com o governo. Ele respondeu positivamente. Na verdade ele já estava negociando.
Assim, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e seu mandato que poderiam ter uma deterioração meteórica por ficar na dependência dos seus pares na Câmara, descansaram aliviados. Ele sabia que seu mandato poderia estar perdido pela quebra do decoro parlamentar, pela mentira, e por estar mergulhado na corrupção da Petrobras, denunciada a partir das suas contas bancárias, dele e da família, já bloqueadas na Suíça à disposição do governo brasileiro. Seu espaço de manobra política seria quase nenhum.
A negociata com o governo já estava, porém, em pleno movimento. Ele disse então o seu preço e Dilma e o PT toparam, fechando, supõe-se, o salvamento do mandato do presidente da Câmara que estava na corda bamba da cassação. Segundo a Folha, o acerto fora sido feito em dois pontos básicos. 1- Que a cassação não prosperasse e a saída seria o número de integrantes do PMDB e do PT no Conselho de Ética. Juntas, as legendas têm 16 votos, a maioria, num total de 21. Sem maioria nada seria feito. A negociata ficou fácil. 2 – A cabeça do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, seria também entregue a Cunha, porque ele (outra suposição) entende que Cardoso vazara as informações sobre as investigações na Suíça. Mais uma vez bingo para o presidente da Câmara e questão novamente fechada.
Foi um toma-lá-dá-cá como de há muito não se vê. Chegou-se a um ponto de acordo. Neste vendaval, a oposição ficou de fora, alheia ao que se passava. O Palácio do Planalto despachou o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, para uma conversa com Eduardo Cunha. Se, numa hora, o governo se bate em confronto com o presidente da Câmara, logo, logo estabeleceram diálogos, porque os dois lados procuravam saídas. O interessante é que cada um tratou de encontrar uma forma, livrando-se do labirinto como se fosse num jogo. No caso, um jogo político desesperado. E sujo. 
*Samuel Celestino. Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (15) do jornal A Tarde

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Acessos ao Blog

Post mais acessados no blog

Embaixada da Bicicleta - Dinamarca

Minha lista de blogs