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quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Senhor das Artes

O galerista Paulo Darzé (foto) se considera um “vovô” no segmento em que atua. Afinal já se vão 33 anos de galeria, o que faz dele um dos profissionais mais experientes do país. Filho de pais libaneses, mas nascido em Salvador, Paulo começou a se interessar por arte na loja de móveis do pai, onde alguns artistas plásticos iam para fazer permuta de móveis por arte. Essa era uma prática, digamos, comum nos anos 50, 60, quando artistas como Carybé e Floriano Teixeira já tinham uma grande produção artística, porém consumida apenas por uma elite cultural que já apostava na arte moderna. Na entrevista que Paulo concedeu ao Blog Salvador em um Click, na galeria que leva seu nome, numa tranquila transversal do Corredor da Vitória, ele conta como tudo começou e um pouco mais. Vale a pena saber!
Porque e quando você começou a se interessar por arte?
Paulo Darzé: Meu pai tinha uma loja de móveis e alguns artistas o procuravam para fazer escambo de móveis x telas. Em frente à loja de meu pai tinha a loja de Leo Grossman, que eu frequentava, onde tinha trabalhos de Carybé, Floriano e outros aristas. Então conheci Luiz Caetano Queiroz, que fazia leilões de arte no Othon (Bahia Othon Hotel) e comecei a colocar algumas peças. Fiquei sócio de Luiz Caetano, até que comprei a parte dele e mudei o nome da galeria para Escritório de Arte da Bahia. Durante 10 anos fiquei no Salvador Praia Hotel, até que o hotel solicitou as lojas e fui para a Graça. Foi quando mudei o nome para Paulo Darzé Galeria de Arte. Hoje o nome é Paulo Darzé Galeria.
Tempos e Linguagens
A Paulo Darzé Galeria é palco de grandes exposições
O seu gosto pela arte contagiou sua família?
P.D.: Totalmente, minhas filhas adoram! O interesse nas viagens para o exterior mudou de shoppings para museus!
Há quanto tempo a galeria existe?
P.D.: Há 33 anos, sou vovô nesse ramo! Não tem no Brasil 20 galerias com esse tempo de atividade. Me sinto um vencedor por ter passado por algumas crises e sobrevivido, como espero sobreviver também a esta que estamos passando.
Quantos artistas a galeria representa hoje?
P.D.: 22 artistas.
De onde são esses artistas, somente da Bahia ou de outros estados também?
P.D.: Do Brasil inteiro, mas a maior concentração de artistas é do Rio de Janeiro e São Paulo. Tunga é pernambucano e mora no Rio, Antonio Dias é paraibano e também mora no Rio, Florival Oliveira é de Riachão do Jacuípe e veio pra Salvador, Iuri Sarmento é mineiro, morou aqui, mas agora mora em São Paulo…
Tunga
Obras de Tunga
Quantas exposições a galeria faz por ano?
P.D.: Uma média de quatro exposições por ano. Já fiz, cinco, seis, mas a média é quatro, que multiplicado por 33 anos dá quase 150 exposições.
Sempre tem uma exposição em cartaz? Qual a exposição do momento?
P.D.: Sim, sempre tem. A exposição que está na galeria agora é de João Farkas, que vem de uma família tradicionalíssima em arte. João é filho de um grande fotógrafo, Thomas Farkas. Quando não temos exposições individuais temos mostra do acervo dos artistas que representamos.
João Farkas 2
Exposição ‘Trancoso’, de João Farkas está em cartaz na Paulo Darzé Galeria
Qual a exposição de maior sucesso – de público e comercialmente falando – que a galeria já realizou?
P.D.: De público, teve algumas. A inauguração deste espaço, com Mariozinho Cravo (o fotógrafo Mário Cravo Neto), a de Bel Borba, que parou a Vitória. Comercialmente, a exposição de Tunga, de Antonio Dias e muitas outras. Na de Carybé, na inauguração da Graça, os empresários quase se estapeavam, queriam pagar mais. Há anos ele não fazia uma exposição. Em vida ele fez quatro comigo. Fiz exposição de todos os modernistas, Calasans, Carlos Bastos, Carybé…
Quais os artistas baianos em ascensão?
P.D.: Muitos! Todos os que trabalhamos: Florival Oliveira, Caetano Dias, Paulo Pereira, Vauluízio Bezerra, Bel Borba, Iuri Sarmento, Christian Cravo. O artista em maior ascensão na Bahia é Marepe, que não trabalha comigo e com nenhuma outra galeria local, trabalha com galeria de São Paulo.
Tempos e Linguagens 2
A mostra ‘Tempos e Linguagens’ reuniu diversos artistas representados pela galeria
Você está sempre de olho em gente nova ou prefere manter um número restrito de artistas representados pela sua galeria?
P.D.: Nós estamos sempre abertos, o mercado de arte é como bicicleta, não pode parar! Sempre inovando, se reinventando, cada geração tem um comportamento diferente. Minha filha fez curso na Sotheby’s, em Londres, fez mestrado em arte contemporânea, tem um olhar bastante diferente do meu, um olhar vanguardista. O que não pode faltar é seriedade no mercado.
O que determina a sua aposta em um artista, gosto pessoal ou técnica?
P.D.: Nem uma coisa nem outra. O que conta é o currículo do artista, a seriedade da produção, associado, claro, ao gosto pessoal.
Vale a pena participar de eventos como a SPArte ou ArtRio?P.D.: Muito, porque a galeria tem muita visibilidade. No período curto de cinco dias, 20 mil pessoas passaram pela SPArte e todos com o mesmo foco: arte. Mas as vendas foram um fiasco por conta da crise. Fizemos dois estandes, um em homenagem a Carybé, com mais de 40 obras, e o outro com os artistas que representamos.
Mário Cravo Neto
A exposição de Mario Cravo Neto foi uma das mais concorridas
A crise afetou o mercado de arte?
P.D.: Um pouco. Mas agora está na hora de comprar, pois o mercado está em baixa, caiu em 30%.
Que conselho você daria para quem quer começar uma coleção de arte?
P.D.: Procurar um profissional estabelecido no ramo para não comprar gato por lebre! Sempre procurar artistas que já tenham uma carreira.
O que deve ser levado em consideração na compra de uma obra de arte?
P.D.: Primeiro, se agrada ao seu olhar e depois ver se o artista já tem uma carreira consolidada ou uma boa projeção para o futuro, se dará continuidade ao seu trabalho ou se é “artista de fim de semana”. Mas em primeiro lugar, tem que gostar de arte.
João Farkas
O amplo espaço da Paulo Darzé Galeria
Arte tem que combinar com o sofá e o tapete?
P.D.: Nunca
O que você acha do grafite?
P.D.: É uma tendência natural hoje. Temos muitos brasileiros reconhecidos no mundo todo, como Os Gêmeos, que são top!
Das linguagens das artes plásticas, qual a sua preferida?
P.D.: Arte contemporânea. Eu gosto de viver o meu tempo, o meu hoje. Gosto de olhar para um artista e ver que daqui a cinco, dez anos ele será reconhecido. Mas eu sou profissional e tenho o olhar .
* Entrevista concedida ao Blog Salvador em um Click

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