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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Haddad e Freixo ensaiam aproximação

Fernando Taquari | De São Paulo
Em discursos a militantes de esquerda, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que ficaram em segundo lugar respectivamente nas eleições municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, ensaiaram uma aproximação com vistas às eleições presidenciais de 2018. Na segunda-feira, os dois participaram, na capital paulista, do primeiro encontro do movimento #queroprévias para discutir um programa político progressista.
No debate, que contou com presença de sindicalistas e acadêmicos, como Ruy Braga (USP) e Tatiana Roque (UFRJ), Haddad e Freixo fizeram questão de mostrar afinidade em relação aos desafios enfrentados pela esquerda a pouco mais de um ano da eleição.
Haddad iniciou sua fala com críticas às reformas do governo Temer. Segundo ele, o Planalto corre contra o relógio para aprovar mudanças na legislação trabalhista e no regime de Previdência. "Eles sabem que o candidato do campo conservador não pode defender isso em 2018", disse.
Sem citar a Lava-Jato ou o ex-presidente Lula, alvo de investigações, Haddad observou que há uma tentativa de "impedir que uma força contrária" ao governo possa se colocar na disputa com condições de vitória. Diante disso, demonstrou preocupação com a possibilidade de um segundo turno entre um "candidato de direita e outro de extrema direita".
Como alternativa ao modelo "conservador", Haddad disse que a esquerda não pode ficar na defensiva e deve trabalhar na construção de um programa "audacioso."Precisamos escapar da camisa de força que delimita nosso campo de imaginação", afirmou. Nessa linha, sugeriu uma radicalização nos processos de integração com mercados externos. "O nacionalismo não está disponível, a não ser em países ricos. Os mercados nacionais ficaram pequenos. Nem a Europa se sustenta sem a União Europeia. Temos que pensar em formas globais de integração para competirmos sem precarizar o trabalho", disse Haddad.
Já Freixo ressaltou que a vitória da esquerda em 2018 passa pela derrota das reformas de Temer em 2017. Segundo ele, a desigualdade social deve ser o eixo central de um programa progressista. "Ainda não se deram conta que estamos em um mundo dominado pelos serviços e que, para muitas pessoas, o Estado é um inimigo". Em um mea culpa, disse que a esquerda fala muito e ouve pouco.
"Precisamos pensar fora da caixa, sair da zona de conforto. Não estamos mais em um mundo sindical ou industrial. Nem todo o empreendedorismo é pejotização", afirmou Freixo. O deputado observou, contudo, que o país ainda enfrenta problemas do século XIX, como o aumento da população carcerária. "Isso nunca entrou na pauta da esquerda", lembrou.
Apesar da unidade nos discursos, uma candidatura única é vista como improvável diante da disposição de Lula em concorrer à Presidência. Haddad é apontado como alternativa, caso Lula desista ou seja inabilitada pela Justiça.
O movimento #queroprévias não tem a pretensão, segundo suas lideranças, de unificar a esquerda em uma única candidatura. A ideia do grupo, surgido da iniciativa de acadêmicos e movimentos sociais, é formular um programa de governo que motive candidaturas do chamado "campo progressista".

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