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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Volta do Malandro

Chico Buarque prepara disco novo. Ele cantou um blues e uma valsa  e mostrou como se empenha em dar uma dimensão humana ao próprio mito.
REGINA ZAPPA*
Chico Buarque está de volta ao samba e prepara um novo disco para este ano. “Aliás, voltei pelo blues e pela valsa”, diz. A valsa se chama Nina. “É uma valsa russa”, explica, cantando um trecho ao violão. Por que russa? “Ah, nasceu com cara de russa.” Dedilhou também o blues dedicado a uma musa que, como diz a canção, se nada der certo, terá servido ao menos “para fazer este blues”. Voltar à música significa despir a pele de escritor que andou usando enquanto escrevia, revia e acompanhava as traduções de Leite Derramado, que esteve no centro de uma polêmica. Ganhou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, cinco dias depois de arrebatar o Jabuti de melhor livro do ano de ficção, na escolha dos júris oficial e popular. Era a primeira vez em 52 edições que o mesmo escritor vencia três vezes na categoria. Era a primeira vez também que o premiado se via metido numa enorme contestação, que virou abaixo assinado na internet (“Chico, devolve o Jabuti”). Como o livro não venceu na categoria melhor romance, questionou-se a validade de levar como melhor livro do ano. “É uma coisa absurda”, diz ele. “Eu ia ficar quieto, mas foi tanta gente falando nas colunas de jornal que resolvi mandar uma carta.” Na carta, publicada no jornal O Globo em dezembro, lembrou que são júris distintos que outorgam os prêmios de cada categoria, que a mesma situação já ocorrera 17 vezes antes e que ninguém reclamara. “Acho que as pessoas não se conformam que um cantor e compositor popular possa ganhar prêmio como escritor.”
* Jornalista da revista Alfa

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