
Osvaldo Campos Magalhães*
O recente desastre natural que atingiu o Japão veio a desnudar a falta de segurança de algumas das usinas atômicas daquele país, que, utilizando tecnologia americana obsoleta, (G&E) gerou um desastre nuclear que poderá atingir proporções ainda mais graves que os provocados pelo terremoto de 9 graus e pelo tsunami com ondas de até 10 metros.
Segundo dados divulgados por geólogos locais, o último tsunami de tal dimensão havia ocorrido no Japão 1.000 anos atrás, causando impacto similar sobre a ilha principal do arquipélago japonês, mas, logicamente, com menores perdas de vidas humanas.
A imprudência do governo japonês, a negligência da empresa geradora de energia e a omissão dos órgãos estatais de regulação e fiscalização, além de desmistificarem a aura de eficiência nipônica, irão provocar danos ambientais ainda maiores, estes, em escala planetária.
No momento em que a geração de energia elétrica através de usinas termonucleares se afirmava como grande opção à diminuição das emissões de carbono na atmosfera e o consequente arrefecimento do aquecimento global, eis que ocorre o desastre nuclear de Fukushima, tornando incerto o futuro da indústria atômica na Europa e em alguns países asiáticos.
Esta expansão estava calcada na implantação de centrais nucleares que, em grande parte, utilizariam tecnologia francesa, muito mais eficiente e confiável que a tecnologia empregada nos obsoletos reatores acidentados no Japão.
Com a confirmação pelo governo alemão da moratória do seu programa de geração de energia termonuclear e as pressões de alguns países (principalmente a Áustria), sobre os órgãos reguladores da Comunidade Europeia, muito provavelmente ocorrerá um congelamento na implantação do parque de usinas nucleares que se esboçava no continente europeu.
A retomada da utilização do carvão e do petróleo na geração de energia elétrica na Europa e na Ásia será a principal herança negativa do Tsunami japonês, se constituindo num retrocesso com consequências ainda não dimensionadas para o futuro da atmosfera do planeta.
* Engenheiro e Mestre em Administração, é Especialista em Infraestrutura

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