Cristiane Agostine | De São Paulo
O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), começará sua gestão com um impopular aumento na tarifa de ônibus, hoje fixada em R$ 3. O novo valor, ainda em estudo pela equipe do petista, não deve ser superior a R$ 3,37.
O prefeito eleito deixou claro que fará o reajuste e afirmou que não deve aumentar o subsídio ao transporte público, que atualmente é estimado em R$ 1 bilhão ao ano. "A tarifa está congelada há dois anos. A prefeitura já está gastando R$ 1 bilhão de subsídios e tem dificuldade...", disse. "O Orçamento da prefeitura é limitado. Você não pode tirar da saúde, da educação, da dívida que é paga para a União", afirmou no programa "Roda Viva", da TV Cultura, na noite de segunda-feira.
Haddad disse que o aumento não será superior à inflação do período. O último reajuste foi em janeiro de 2011 e, considerando como base o acumulado da inflação entre dezembro de 2010 e dezembro de 2012, a tarifa corrigida pelo IPCA no período ficaria em R$ 3,37, segundo o ValorData. A inflação medida pelo IPCA - índice que deve ser usado pela prefeitura - nesse período acumulou 12,49%. O dado de dezembro deste ano foi projetado de acordo com o Relatório Focus desta semana.
O futuro secretário de Transportes, deputado federal Jilmar Tatto (PT), deve se debruçar a partir da próxima semana sobre o tema. "Ainda não faço ideia qual será o reajuste", disse ontem. A Comissão de Finanças da Câmara Municipal estima um valor de tarifa entre R$ 3,20 e R$ 3,30.
Haddad disse, na entrevista, que manterá a meritocracia na área de educação, com a bonificação de professores vinculado ao desempenho. O tema divide o PT e os servidores e o prefeito eleito disse que formulará sua proposta em conjunto com os professores. "Qualquer mecanismo de meritocracia - e eu defendo a meritocracia - tem que ser pactuado", afirmou. "Em São Paulo tem uma boa dose de consenso do plano de carreira dos professores, com previsão de aumento salarial até 2014. Nos comprometemos na campanha a honrar o compromisso com os professores", afirmou.
Ao defender um governo de coalizão, o petista disse que fará um balanço do desempenho de seus secretários após o primeiro ano da gestão e, se não estiver satisfeito com o resultado, poderá tirar não só o titular, mas também o partido que controla a Pasta. "Se não está dando conta, tenho a obrigação de substituir. A composição partidária não necessariamente será respeitada, mas é de bom tom, elegante e justo com o partido a ser consultado, discutir o motivo dessa substituição", afirmou. "As pessoas dão muita carga para as substituições. Não é diminuir ninguém. É procurar outro espaço para essa pessoa", disse.
O primeiro teste do governo de coalizão, que já contemplou PT, PSB, PCdoB, PV, PTB e PMDB no futuro secretariado e terá o PP, será a eleição para a presidência da Câmara Municipal. O PT lançou ontem, oficialmente, o vereador José Américo para a disputa, com apoio da bancada do PSDB. O partido ainda negocia o apoio do PSD, que hoje comanda a Casa com José Police Neto.
Haddad deve terminar nesta semana a indicação de seu secretariado. Entre os próximos a serem anunciados está o deputado estadual Simão Pedro (PT), que deverá ser nomeado para a Secretaria de Serviços, responsável pela varrição, limpeza e coleta de lixo da cidade.


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