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terça-feira, 26 de março de 2013

O Mundo no meu café da manhã

criança coreana
 Ludmila Rohr*
Moro desde do início de dezembro de 2012 em um hotel em Seoul, capital da Korea. Essa tem sido uma experiência fantástica, e me refiro a os dois aspectos da minha declaração inicial. Morar na Korea e morar em um hotel.  

Tenho falado nesse blog sobre várias experiências impagáveis e inesquecíveis que tenho tido por viver nesse país que cresce absurdamente, que tem uma comida exótica, que tem o melhor sistema de metrô do mundo, que tem um povo que acredita na educação como o grande agente transformador de uma nação. Amo e sou grata à vida por ter me dado essa chance, nunca imaginada de morar na Ásia. 

Moro em um hotel. Moro em um hotel na Ásia. Nunca imaginei que um dia fosse morar em um hotel, e muito menos que esse hotel fosse desse lado de cá do planeta. Fizemos a escolha de morar em um hotel porque pensamos ser mais prático e excitante. Poderíamos morar em um apartamento, como muitos amigos escolheram morar quando mudaram pra cá, mas preferimos um hotel e não nos arrependemos em um só segundo da nossa escolha. Nosso hotel fica em uma área turística de Seoul, um bairro famoso, por suas ruas movimentadas, pelos bares e vida noturna, pela enorme opção de restaurantes e lojas. Adoro esse lugar e sentirei muita falta daqui quando for embora.
no lobby com meu filho quando nos visitou

Todos os dias, desço para o café da manhã e me deparo com o mundo diante de mim. Além das inúmeras famílias que moram aqui, temos a população flutuante de turistas e homens de negócio. Adoro observar a todos. Passo o tempo de meu café observando os tipos que ali circulam ou moram. Tentarei descrever alguns deles aqui.

Temos uma família australiana cuja filhinha nasceu aqui. Vi sua mãe grávida e vi quando a bebê começou a andar. Vejo todos os dias os funcionários do hotel babarem diante dessa menininha lourinha, extremamente simpática e com olhos azuis sedutores. Eles a pegam no colo e levam pra cozinha, ela passa de colo em colo, deixando cada funcionário mais bobo que o outro. No dia que ela andou pela primeira vez no café, quase que não temos o que comer, todos pararam de trabalhar para admira-la com suspiros e exclamações em coreano. Nesse dia, faltou ovo, o suco acabou...mas ninguém reclamou. 

Temos uma família inglesa com 3 crianças lindas. Preciso dizer que só vejo os pais nos fins de semanas, quando eles não trabalham, durante a semana, só vejo apenas as mães e as crianças. Recentemente chegou uma família nova, a mãe é francesa, o pai holandês e eles tem uma coisinha gorda e loura que simplesmente para o hotel. A menina é linda e a mãe está grávida. Não sei se ainda estarei aqui quando o novo bebê chegar.  

Temos ainda as crianças mais velhas, que só vejo nos fins de semana, porque estudam e tomam café muito cedo, entre elas está Sofia, meu grande amor. Sofia é filha de brasileiros e seu pai é colega do meu marido. Ela roubou meu coração e sou completamente apaixonada por ela, que nossa relação é mais que de vizinhas, ela me chama de Tia Lu, e eu babo apaixonada. 
Sofia na piscina do hotel com crianças coreanas

Homens de negócios são europeus, americanos, árabes e indianos. As famílias indianas são simpáticas, sorridentes e amistosas. Puxam conversa e se relacionam com todos, assim são as crianças. Entretanto as famílias árabes e muçulmanas são aversas a contatos. As mulheres usam burcas ou véus, sentam de costas para todo o restaurante para poderem comer (não sei como conseguem), com seus véus. Eles (na sua imensa maioria) não sorriem, não nos cumprimentam e se relacionam entre eles. Eu os  estranho, e confesso que tomo sustos quando entro no elevador e vejo aquelas mulheres de preto. Não os entendo, acho que eles tem uma cultura fechada, o que nos impede de compreende-los, mas tenho uma ligeira sensação de que eles não estão nem aí para isso. 

Vejo pessoas, vejo personagens, vejo caricaturas, vejo arquétipos, vejo estereótipos. 
Moro em um hotel e vejo muita gente todo dia no meu café da manhã. 
Vejo o mundo enquanto tomo minhas canecas de um forte café preto. 
*Psicolóloga e professora de yoga

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