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terça-feira, 11 de março de 2014

Singular e Plural

Osvaldo Campos Magalhães*
Apesar de ter reconhecido recentemente que suas previsões relacionadas ao atual processo de mudanças climáticas e aquecimento global estavam superestimadas, as ideias desenvolvidas pelo cientista e ambientalista britânico, Sir. James Lovelock permanecem válidas e bastante atuais.
Formulador da “Hipótese de Gaia”, que considera o nosso planeta um organismo vivo e auto regulável, talvez uma singularidade no Universo, Lovelock, propõe uma nova visão sobre a Terra. Considera que a interação entre os minerais, os vegetais e os animais ao longo dos últimos bilhões de anos, possibilitou o surgimento de GAIA, que se auto regula e protege.
Adverte-nos ainda sobre o impacto ambiental que estamos a infligir sobre o planeta, que se acelerou tremendamente com o advento da revolução industrial iniciada no século XIX. Segundo Lovelock, ou mudamos nossos padrões de produção e consumo e a taxa de crescimento populacional ou assistiremos, ainda neste século, à morte de bilhões de pessoas, resultado das mudanças climáticas e da elevação do nível dos oceanos, que transformarão por completo as condições de vida na Terra. Somente poucos países conseguirão sustentar grandes populações, Canadá, Rússia, parte dos Estados Unidos e Argentina e, algumas ilhas, como Nova Zelândia e Inglaterra, que sofrerão ameaças de invasão por bilhões de imigrantes aflitos por comida e água.
Para evitar este processo em curso, uma das medidas apontadas por Lovelock é a utilização intensiva da energia nuclear e medidas de controle da natalidade.
Contrariando a maioria de seus colegas ambientalistas, Lovelock argumenta que a energia atômica é a única tecnologia atualmente disponível capaz de substituir rapidamente o atual modelo baseado na queima de combustíveis fósseis. Adverte para os sérios impactos ambientais da geração eólica e dos enormes subsídios requeridos pela energia solar. Coloca a França como país modelo, com mais de 77% de geração nuclear, sem que nunca tenha ocorrido acidentes nas suas usinas atômicas.
Na sua original “hipótese”, Lovelock nos adverte: Gaia é um planeta singular, mas, plural. Até agora, estamos sozinhos no Universo, somos uma singularidade, contudo, milhões de espécies já habitaram o planeta e, certamente, o "Hommo Sapiens” não será a última etapa da sua evolução enquanto organismo vivo e complexo.
O tempo em que ainda permaneceremos integrando este organismo maior, Gaia, dependerá das medidas que a raça humana adotará ainda neste século. Mesmo revendo suas previsões catastróficas sobre a elevação dos níveis dos oceanos e da temperatura média no planeta, Lovelock continua certo que as mudanças climáticas continuarão no seu processo e fixa que ainda neste século XXI, entraremos num ponto sem retorno, caso medidas extremas não sejam adotadas imediatamente.
Será que seremos capazes de compreender a dimensão do desafio que se apresenta? O ceticismo vigora, pois a condução do processo pela Organização das Nações Unidas com a realização de diversos painéis, não apresentou grandes avanços. Conflitos de interesses entre as principais nações industrializadas tem resultado na protelação de medidas mais radicais. “Eco Céticos” continuam duvidando da veracidade dos dados científicos apresentados por pesquisadores sérios, como o próprio James Lovelock e, vem ganhando novos adeptos com a recente diminuição do aquecimento global e os invernos mais rigorosos dos últimos anos. Fenômenos climáticos como as furações Katrina e Sandy, provocando prejuízos estimados em US 100 bilhões, servem de alerta para o impacto provocado pelo aquecimento dos oceanos.
A preocupação maior de Lovelock recai sobre a nossa espécie, pois, acredita na capacidade de Gaia em se auto regular e defender. Considerando que a vida de GAIA estará condicionada ao tempo que ainda resta para a nossa estrela, o Sol, cerca de quatro bilhões de anos, quantas novas espécies serão capazes de desenvolver inteligência e linguagem caso a raça humana seja extinta nos próximos séculos?


*Osvaldo Campos Magalhães é Engenheiro e Mestre em Administração. Membro do Conselho de Infraestrutura da FIEB e do Instituto Pensar

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