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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Fator Marina: Sinal verde para os mercados

Germano Luders - Exame
No dia 17 de Março do presente ano, as ações preferenciais da Petrobrás fecharam o pregão a 11,84 reais, cotação inferior ao mínimo atingido pelos papéis da estatal durante a crise financeira de 2008, quando os ativos chegaram a valer 15,38 reais em Novembro daquele ano. Dentre os motivos para tamanha sangria, vale destacar a percepção negativa dos investidores em relação às ingerências do governo na petrolífera.
Em seguida, a corrida eleitoral começou a preencher os noticiários e, por conseguinte, a influenciar os investidores, que desde o início deixaram uma coisa bem clara: quaisquer candidatos, exceto a presidente da república, são bem vindos. O mercado financeiro vem brindando quaisquer pesquisas eleitorais que apontem para possibilidades reais de uma derrota da incumbente no pleito de Outubro.
Assim, um engessado candidato tucano que ainda não conseguiu superar a marca de 20-21% de intenções de voto no primeiro turno, mas que levou calafrios ao Palácio do Planalto ao registrar um empate técnico com a atual presidente em um eventual segundo round, foi capaz de catalisar rallies de alta nas bolsas de valores, que aos poucos foram transformando as insatisfações em esperança.
Então, o imponderável acontece: o candidato Eduardo Campos é acometido por uma tragédia, que ceifa a sua vida deixando desamparados sua esposa e cinco filhos. O tabuleiro eleitoral é modificado com a confirmação de Marina Silva como candidata do Partido Socialista Brasileiro à presidência da república. A última pesquisa confirmou a força eleitoral de Silva, que registrou no último IBOPE divulgado em 18 de agosto expressivos 21% das intenções de voto, ante 36% da incumbente e 20% do pleiteante tucano, Aécio Neves.
Em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a pesquisa IBOPE anteriormente mencionada apontou uma vitória da recém chegada pleiteante ao Planalto, que registrou 47% das intenções de voto ante 43% de referências à presidente da república. As bolsas de valores brindaram os números com um forte rally de alta, especialmente nas ações da Petrobrás que, com volumes financeiros bem altos – superando a marca de 1 bilhões de reais -, chegaram a 21,30 reais em 21 de agosto.
Entretanto, nem tudo são flores. Há alguns pontos cruciais a serem observados na atual corrida eleitoral. Primeiro, a questão da transferência de votos entre os tucanos e a chapa encabeçada por Marina Silva. Em caso de uma disputa entre o PSDB e o PT no segundo round das eleições, é plausível esperar que Silva não apoie o candidato Aécio Neves; na melhor das hipóteses, assim como feito em 2010, a pleiteante deixará seus eleitores livres para fazer suas próprias escolhas. Isso resultará em votos para Dilma Rousseff.
Na hipótese de um segundo turno entre Marina Silva e a incumbente me parecia natural que os eleitores tucanos migrassem sem hesitações para a chapa encabeçada por Silva. Porém, sondando opiniões mediante as mídias sociais, a conclusão é que a imagem da pleiteante do PSB está, do ponto de vista daqueles que votam em Aécio Neves, fortemente atrelada ao Partido dos Trabalhadores. Dessa forma, é difícil prever, mesmo com tanta insatisfação em relação à Dilma Rousseff, até que ponto poderá ocorrer essa transferência de votos.
Segundo ponto a ser abordado: assim como Dilma em 2010, que era totalmente dependente politicamente do presidente anterior, Luiz Inácio Lula da Silva, causa certa hesitação a postura de Marina Silva que menciona todo o tempo que irá “honrar o legado de Eduardo Campos”.  Nesse momento, no qual o desejo do mercado financeiro é de mudanças na presidência da república, esse discurso de homenagem ao falecido candidato parece palatável. Porém, em algum momento, os investidores e eleitores irão cobrar opiniões próprias da pleiteante.
A saída de um nome forte do PSB da coordenação da campanha de Marina Silva já demonstra que esse discurso de “eternas homenagens” não deverá se perpetuar por muito tempo. E que tipo de pretensões deverão os eleitores e o mercado financeiro encontrar quando a pleiteante for obrigada a se posicionar em pontos fortes como a condução do pré-sal, medidas impopulares como a criação dos conselhos populares propostos por Dilma Rousseff, dentre outros assuntos?
Por enquanto, como “alimentadora” de esperanças, a posição de Marina Silva está perfeita. Porém, como presidente da república, as incertezas são enormes.

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