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terça-feira, 5 de maio de 2015

A inovação na Bahia

José de Freitas Mascarenhas*
Inovar, em países que ainda não se desenvolveram plenamente, é a via de menor custo para superar obstáculos.
O problema é que a decisão do empresário de inovar de forma sistemática depende não apenas de seu propósito, mas também de uma série de elementos que precisam ser ordenados e articulados para que se consolide um ambiente favorável à inovação.
Apesar da reconhecida importância das instituições de conhecimento e do governo, o protagonismo da inovação é do empresário e sua motivação é essencialmente a natureza competitiva dos negócios.
Para que se concretize, o ambiente deve disponibilizar instrumentos de financiamento e um regime tributário diferenciado de apoio à inovação; um conjunto de equipamentos de alto desempenho na oferta de serviços de suporte ao desenvolvimento tecnológico; e, principalmente, programas e instituições voltados à melhoria do sistema educacional, focados no conhecimento e na educação para o mundo do trabalho. Este esforço da sociedade é fundamental para ajudar a empresa inovadora, principalmente se pequena ou média, sem recursos internos.
Os resultados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), de 2011, que traça um panorama geral da inovação no país, mostram que um ambiente positivo estimula as inovações nas empresas. Este funciona como um catalisador de iniciativas que reduzem a insegurança jurídica, compartilham o risco e mitigam incertezas, incrementando a taxa de inovação, os investimentos em atividades de caráter inovativo e em pesquisa e desenvolvimento.
De 2000 a 2011, período em que muitas iniciativas favoráveis à inovação começaram a amadurecer, o percentual de indústrias brasileiras inovadoras saltou de 31,5% para 35,7%. Pode-se depreender desse fato que as empresas nacionais estão despertando para a necessidade do esforço da inovação para o desenvolvimento dos seus negócios e que os empresários estão respondendo positivamente aos estímulos de incentivo ao empreendedorismo inovador.
Esses movimentos iniciais são importantes, afinal não podemos esquecer que, de acordo com o Índice Global de Inovação 2013, o Brasil ocupa apenas uma modesta 64ª posição no ranking das nações mais inovadoras – os dados fazem parte do relatório elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, Instituto Insead e Universidade Cornell (EUA). Portanto, a questão da inovação impõe um desafio relevante a ser superado para reduzir a distância do país em relação às mais importantes e competitivas economias do planeta.
O governo federal incorporou o tema aos seus discursos e à política industrial, através do Programa Brasil Maior, repetindo como um mantra que é preciso “um foco mais centrado em inovação”. E deu um passo importante aumentando o volume de crédito concedido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para empresas inovadoras do país, que chegou a R$ 6,3 bilhões em 2013. Este ano, a Finep estima alcançar R$ 10 bilhões em financiamento da atividade.
inda que seja um problema nacional, a Bahia despertou para a questão e vem dando passos (iniciais) no sentido de melhorar a eficiência do ambiente propício à ocorrência do esforço inovativo. No entanto, é preciso pisar no acelerador. Os programas de apoio à inovação ainda não correspondem à relevância do estado no cenário nacional.
No ano de 2013, a Federação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) disponibilizou recursos no valor de R$ 119,9 milhões, sendo R$ 86,3 milhões para fomento à pesquisa e inovação no estado da Bahia e R$ 33 milhões para formação científica. Do total, quase 71% são oriundos do Tesouro Estadual e o restante, de parcerias federais.
Mas o ambiente vem se modificando. No último ano, a Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação (Secti) implementou ações positivas, por meio de projetos da sua iniciativa, a exemplo do Parque Tecnológico, e abriu diálogo com setores representativos do empresariado visando ao melhor posicionamento da Bahia nesse campo.
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) colocou a inovação como uma das prioridades do seu programa de ação até 2013. Em 2010, criou o Fórum de Inovação da Bahia, que reuniu seu próprio quadro técnico, representações do governo, das universidades e das empresas, e debateu temas relevantes, como a necessidade de aumentar a formação de engenheiros, a utilização do poder de compra do estado e a Lei de Inovação da Bahia.
Também implantou a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) na Bahia, oferecendo, por meio do Instituto Euvaldo Lodi, em parceria com a Finep e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, programas de capacitação empresarial para inovação; e renovou o seu Conselho de Inovação e Tecnologia, suas políticas e seus quadros.
Outra iniciativa foi a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Estratégico pelo Senai Bahia, que prevê a construção de novas unidades voltadas ao ensino e pesquisa, bem como maior eficácia da política de difusão tecnológica e de pesquisa aplicada. Tudo isso com o apoio do Instituto Fraunhofer, do Instituto Alemão de Robótica e Inteligência Artificial (DFKI), da Intel e outros, a fim de buscar permanentemente o estado da arte das tecnologias a serem utilizadas.
Desde 2002, quando inaugurou o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec), o Senai Bahia passou a se constituir um dos principais centros de desenvolvimento de tecnologia do Senai no país e provedor de soluções para a indústria baiana e também para a nacional. Atuando em convênio com a CNI e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Cimatec é o responsável pelo desenvolvimento do programa Embrapii no estado, projeto que visa ao desenvolvimento da inovação junto a empresas brasileiras.
Atualmente, apenas no âmbito da Embrapii, o Centro já trabalha com 27 projetos aprovados de pesquisa e inovação das empresas, no valor global de R$ 74,2 milhões, tendo outros cinco aguardando assinatura em fase final e mais 12 em fase de negociação avançada. Ainda desenvolve atividades buscando viabilizar cerca de 58 projetos prospectados. Na área de educação, a Faculdade Senai Cimatec obteve, em 2012, a maior média do Índice Geral de Cursos (IGC), no Norte e Nordeste, segundo avaliação do Ministério da Educação (MEC). Com média 3,69, superou instituições tradicionais de educação superior na Bahia e em outros estados das regiões citadas. E aguarda a autorização do MEC para implantar um Centro Universitário, o UNISenai.
Além disso, inaugurou em 2013 a expansão do Cimatec, que agregou um Centro Nacional de Conformação Mecânica e um Centro Nacional em Logística. Também instalou um Centro de Supercomputação, o Instituto Nacional da Robótica e a primeira aceleradora do Senai. Está programado, a partir deste ano, também o início da implantação de uma rede de institutos de inovação (nos campos da automação, química e conformação e soldagem) e de institutos de tecnologia (nos campos da construção civil e eletroeletrônica).
Todas elas são medidas importantes para implementar uma política de desenvolvimento da inovação no estado visando, assim, superar o atraso ainda existente neste campo.
Como se vê, há trabalhos iniciados, mas ainda há muito por fazer pela inovação na Bahia.
José de Freitas Mascarenhas é Engenheiro Civil e Conselheiro da Odebrecht. Foi presidente da FIEB e é Vice-presidente Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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