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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Apetite por negócios de riscos marca trajetória de Andre Esteves

Vinicius Pinheiro/Valor *
Assumir riscos sempre foi uma característica reconhecida por amigos e desafetos do banqueiro André Esteves. A prisão do principal executivo do BTG Pactual representa um capítulo trágico numa trajetória marcada pela rápida ascensão e negócios polêmicos. Em pouco mais de sete anos, o carioca de 46 anos transformou o BTG, uma empresa de investimentos criada no meio da crise financeira em 2008, no sexto maior banco privado do país. Ontem, após a prisão do executivo, o banco viu seu valor de mercado ruir R$ 9 bilhões, mas ainda é avaliado em R$ 19,8 bilhões (US$ 5,3 bilhões).
A escalada mais recente de Esteves ocorreu a partir da recompra do Pactual, em 2009, que havia vendido três anos antes para o suíço UBS. Questionado na época em uma entrevista ao Valor se havia pago caro pelo banco, foi direto: "se fosse caro, eu vendia".
O Pactual já era um banco de investimentos conhecido por apostas ousadas no mercado financeiro quando Esteves entrou no banco em 1989 como analista de sistemas. Quatro anos depois se tornou sócio e foi ganhando espaço até assumir o comando da instituição. Esteves permaneceu como principal nome do banco no país após a venda para o UBS. Foi para Londres em 2007, onde assumiu o cargo de diretor global de renda fixa. Deixou o banco no ano seguinte, junto com um grupo de executivos, em meio a notícias de que teria articulado um plano para assumir o controle da instituição suíça.
Ao reassumir o Pactual, Esteves decidiu mudar de estratégia: em vez de se unir a um concorrente estrangeiro, resolveu tornar o próprio banco um gigante global. Uma das histórias mais disseminadas no mercado é a de que a sigla para BTG seria "Better than Goldman", uma referência ao americano Goldman Sachs, precursor do modelo de sociedade ("partnership") e de bônus generosos aos executivos que mais entregassem resultados.
Com a abertura de capital, em 2012, o BTG procurou manter o formato, mas dentro de uma estrutura na qual as principais decisões ficaram concentradas nas mãos de Esteves. Ele é o maior sócio dentro da holding formada pelos principais executivos que controla o banco e também o detentor de uma "golden share" com poder para tomar as decisões mais estratégicas.
No comando do BTG, Esteves radicalizou a filosofia de "banco de investimento que investe", com aquisições de mais de 30 empresas ao longo dos últimos anos. Algumas tacadas se mostraram certeiras, como o investimento na Rede D'Or de hospitais. A maior parte dos negócios, porém, passa por dificuldades. É o caso da varejista Leader e da rede de farmácias BR Pharma.
O crescimento do banco em diversas áreas além da financeira coincidiu com um momento de maior aproximação entre Esteves e o governo federal. Em 2011, comprou a participação do empresário e apresentador de TV Silvio Santos e se tornou sócio da Caixa Econômica Federal no Banco Panamericano (atual Banco Pan), após a constatação de fraudes bilionárias na instituição.
O banco também é o principal sócio da Sete Brasil, empresa criada para construir e fazer a gestão das sondas do pré-sal para a Petrobras e que está envolvida nas denúncias da Operação Lava-Jato. Em outro negócio com a estatal, o BTG pagou US$ 1,5 bilhão por metade dos ativos da Petrobras na África. A transação já foi alvo de suspeita de favorecimento ao banco, informação negada pela Petrobras (ler mais na página A7).
A imagem de "midas" do banqueiro começou a ser questionada no início de 2013, quando o BTG anunciou que prestaria assessoria financeira para tentar salvar as empresas do empresário Eike Batista, cujo império começava a ruir. O BTG chegou a anunciar uma linha de US$ 1 bilhão para o empresário, mas cancelou a liberação dos recursos. No primeiro semestre deste ano, o banco sofreu uma crise de imagem, com a percepção de que várias empresas adquiridas tinham problemas.
Com o fraco desempenho da economia brasileira, Esteves voltou os negócios do BTG para o exterior. Passou a abrir bancos na América Latina, montou uma área global de negociação de commodities e no ano passado anunciou a aquisição do banco suíço BSI, especializado em gestão de grandes fortunas. A transação foi concluída em setembro deste ano, por pouco mais de 1,2 bilhão de francos suíços (quase R$ 5 bilhões). Recentemente, o BSI entrou no noticiário por abrigar contas de uma série de envolvidos nas denúncias de corrupção da Petrobras.

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