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terça-feira, 15 de março de 2016

Isto é Democracia

Marcelo Rubens Paiva*
Continuo um cara de esquerda.
Não sou comunista.
Me divirto quando me mandam ir pra Cuba.
Já fui e adorei, apesar de lamentar ver o socialismo fracassar numa ilha linda, com muita censura e perseguição política.
Rechaço os excessos da Justiça, do MP, a coerção, a imprensa monolítica e tendenciosa, a direita homofóbica, a violência contra o cidadão.
Mas parabéns ao povo brasileiro.
Coxa ou não, são brasileiros. Classe-média branca ou diversa, não interessa mais.
Numa data infeliz, 13 de março, que coincidiu com um comício radical que há 52 anos detonou o Golpe de 64, conseguiu-se uma manifestação enorme, histórica e, aplausos, pacífica.
Para encerrar uma semana tensa, com uma terrível rede de boatos nos afligindo dia a dia, post a post.
Não teve torcida organizada do Fla se encontrando com a do Flu no meio de avenidas e praças, deteriorando um cenário político já polarizado, numa batalha campal descontrolada.
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Não teve bomba, como se chegou a noticiar.
Não teve tropa nas ruas.
Não teve provocação generalizada ou brigas.
Não teve conflito armado, como se sugeriu pelas redes sociais e de amigos.
Grupos pró-PT, que organizavam a manifestação Sem Medo de Ser Feliz na região da Praça Roosevelt, a cancelaram prudentemente e em tempo.
Podemos dormir em paz.
Uma guerra civil não começa no Brasil.
Uma batalha jurídica, sim.
A manifestação de hoje foi serena.
Quem é pró-Dilma é obrigado a admitir: a manifestação de hoje coloca combustível na luta constitucional pelo impeachment.
O Brasil amadureceu.
Não fui à manifestação. Não acho que a culpa seja apenas do PT.
Mas aplaudo a capacidade de organização dos opositores.
E me surpreendi, como todos os analistas, pelas vaias que Aécio e Alckmin (que aliás não tinha nada que estar lá) receberam na Paulista, e por barrarem João Dória, candidato a candidato do PSDB à Prefeitura
Fora PT não significa Viva PSDB!
Fora PT não é mais Viva Cunha, como foi no começo.
A prepotência do partido, a dificuldade em reconhecer seus erros, a arrogância de quem está há 14 anos na Presidência, a desastrosa administração Dilma, seu embate entre a necessidade de reformas e as escrituras partidárias da base, os rolos com o livro-caixa e as escrituras de Lula e sua família, a radicalização do seu discurso, a violência contra a imprensa, especialmente contra repórteres de TV, especialmente contra repórteres de uma TV que, sim, erra em ser tendenciosa, levou mais aliados às manifestações.
O cenário não é o mesmo de 1950, 1954, 1962, 1964, 1966 ou 1968, quando golpistas enfrentavam uma rebelião de militares, capitães faziam greve, soldados e sargentos se rebelavam, generais se colocavam contra marechais, e civis foram vencidos pela linha-dura, diante de uma desordem militar.
Temos instituições, Poderes, Constituição, imprensa livre, eleições diretas e controle civil dos militares.
Temos uma democracia
*Escritor

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