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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Marcelo Calero é escolhido por Temmer para a Secretaria Nacional da Cultura

Acaba de ser escolhido pelo presidente Temmer o nome para ocupar a Secretaria Nacional de Cultura, que poderá voltar a ganhar status de Ministério.
Nunca um Secretário de Cultura da cidade do Rio de Janeiro reuniu tantos predicados, e adjetivos, como o atual Secretário da pasta Marcelo Calero. Empatia, carisma e simpatia. Quebrou vários paradigmas no cenário cultural carioca e, principalmente, no que diz respeito a sua relação física com a cidade e com os seus cidadãos. Um Secretário de ações reais, presentes, que frequenta as ruas, os teatros do Rio de Janeiro, e que está diante da população em seus mais variados eventos, onde as aborda, e as premia – assim como fez com a milésima cidadã a visitar o Museu do Amanhã. Recebeu em 2015 as seguintes láureas: “Prêmio São Sebastião de Cultura”na categoria Ação Cultural; “Prêmio Pilar da Cultura” do Grupo Estácio; “Prêmio Theodor Herzl“, concedido pela FIERJ, no contexto das comemorações do 67o aniversário do Estado de Israel; “Prêmio Cariocas do Ano” da Revista Veja Rio, na categoria Cultura. Amparou o Governo do estado ao aportar 1,5 milhões de reais, por mês, para manter aberta as Bibliotecas Parque Estadual, Biblioteca de Manguinhos e Biblioteca da Rocinha. Idealizou uma grandiosa agenda para a Rio 2016. Valoriza a cultura como nenhum outro secretário antes dele. Com a sua extrema competência conseguiu realizar projetos inéditos e vultuosos para a nossa cidade, como a reforma do Teatro Ziembinski, a abertura do Teatro Serrador, o fechamento do Teatro do Jockey, por motivos absolutamente justos e plenamente justificados. Um ser humano ético, justo, coerente e muito apaixonando, com equilíbrio e racionalidade, em suas ações; o que torna impossível para nós, cidadãos, sermos ríspidos ou sequer deselegantes com a sua figura tão carismática e extremamente apaixonante, articulada e inteligente. Criou projetos de “Territorialização” – pela grande negligência que tínhamos pela cultura na zona norte, oeste e periferias, e o “Fala Cultura!”, diálogos com a classe artística, onde ouve os profissionais e busca entender as nossas deficiências e dificuldades. Suas nobres atitudes nos aproximou, outra vez, do gosto pela política. Nos fez acreditar novamente na figura de um bom político, de um bom Secretário, mesmo no meio de uma crise tão aguda em nossa política brasileira atual, com situações constrangedoras e bizarras em nossa Câmara dos Deputados, Senado e Planalto Central. Onde sentimos de verdade uma imensa vontade em apoiar e defender as suas causas.  Ele resgatou a nossa confiança na possibilidade de dialogar, de analisar ideias, em um excelente nível de discussão, e de nos fazer refletir sobre nós mesmos e a cultura de nossa cidade, tão maravilhosa e importante para todos nós. Confesso que nunca vi algo parecido com a simplicidade, delicadeza, e educação de nosso Secretário de Cultura Marcelo Calero. 
Nestes últimos 23 anos que nos separam da criação da Rede Municipal de Teatros, e da Lei de Incentivo Municipal à Cultura – a Lei do ISS -, pela então Secretária de Cultura do Rio de janeiro, Sra. Helena Severo – no primeiro mandato do Prefeito César Maia 1993-1997 -, quase nada foi realizado de expressivo nas gestões posteriores de tão importante pasta de nossa cultura carioca. A maior ação já realizada, em nossa Secretaria, foi justamente a concretização da Rede Municipal de Teatros, a maior rede de teatros públicos da América Latina. Com ela, adquirimos em comodato os Teatros Glória (hoje demolido), Ziembinski e Delfim (hoje desativado); além da compra do Teatro Aurimar Rocha (hoje Café Pequeno). Foi reinaugurado também o Teatro Carlos Gomes, reformulado o Teatro do Planetário (hoje Maria Clara Machado) – que antes era em formato de palco italiano -, e inauguradas as Lonas Culturais em bairros periféricos. Assim foi dada início à Rede, que contava também com o único espaço que já pertencia a Prefeitura: o Espaço Cultural Sérgio Porto (hoje Espaço Municipal Cultural Sergio Porto). Mais à frente foram incorporados os Teatros Baden Powel, Jockey e Ipanema. Depois deste período profícuo, tivemos apenas algumas expressões de valor na gestão de Miguel Falabella que criou o FATE (Fundo de Amparo ao Teatro) – que ainda assim não conseguia cumprir com os orçamentos anunciados – não por culpa do Falabella -, e o belo projeto de Teatros de Guignol em praças como a Xavier de Brito na Tijuca, no Jardim Méier, na Antero de Quental, na Quinta da Boa Vista e na Gamboa. Eis que surge no início de 2015 o melhor e mais importante Secretário de Cultura que o nosso Rio de janeiro já teve nestes últimos 23 anos, o jovem, de 33 anos, Marcelo Calero. Com ações que estão revolucionando, como nunca visto antes, toda a cultura na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. 
…(  ) …O que eu tento trazer é um pouco dessa normalidade na administração, é isto que a gente carece no Brasil, de que pessoas comuns realmente se ocupem desse ônus público, desta atividade de fazer governo, de estar no governo, de estar liderando…(  )…
…(  ) …O teatro público tem que ser um teatro digno...(   )…
…( ) …A gente então sugeriu ao Prefeito que ele assinasse um decreto mais abrangente que falasse simplesmente o seguinte, se quiser mudar o uso, já não pode. Porque demolir é muito restritivo…(   )…
…(  )…O Teatro Jockey é um teatro que foi criado em 92, a partir de um edifício que estava vazio lá no Jockey e ele tinha muitas coisas erradas…(   )…
…(   )…A minha preocupação é que se a gente tem uma linha temática para a infância, que a gente tenha então um corpo de jurados capaz de escolher os melhores espetáculos…(   )…
…(   )…Eu sempre falo isso, o maior atributo da cultura carioca é saber renovar-se sempre…(   )…
…(   )…A gente chegou a 1% Ricardo e não foi de hoje…(   )…
…(   )…Eu sempre brinco que, para a gente, a Olímpiada já passou. Tudo que eu precisava fazer, escolher os projetos, escolher as licitações, todo este arcabouço que o governo precisava fazer já está pronto…(   )…
…(   )…eu tenho muita confiança no Pedro Paulo e eu sei que ele vai ser um grande Prefeito para a cidade do Rio de Janeiro…(   )…Marcelo Calero.
Em nossa entrevista exclusiva de estreia da Coluna Perfil – concedida em seu gabinete no Edifício Sede da Prefeitura na Cidade Nova – Marcelo Calero faz um balanço completo de seu primeiro ano no cargo, nos conta importantes fatos sobra a sua infância, formação, elementos que fizeram dele um gestor fundamental para todas as artes no Rio de Janeiro. Fala sobre as “Residências Artísticas”, sobre o papel do teatro público e as suas funções, das principais metas para o ano de 2016 e 2017 – incluindo o teatro para a infância, e o teatro experimental e de pesquisa -, sobre a “Conexão ISS”, sobre os pontos que o levaram a não manter o Teatro do Jockey na Rede Municipal de Teatros, sobre o decreto de proteção aos teatros, sua abrangência e de como será feita a fiscalização para o cumprimento do mesmo. Sobre a gestão de sucesso do Prefeito Eduardo Paes, sobre os famosos 1% destinados à cultura carioca, sobre todo o planejamento cultural das Olímpiadas, sobre a candidatura de Pedro Paulo à Prefeitura do Rio e sobre os seus planos para o futuro.
Ricardo Schöpke – Tijucano. Único bairro do Rio de Janeiro onde se possui uma denominação para os reconhecer. Enraizado na boa tradição, bom sujeito, com um apego e apreço declarados publicamente à sua família (mãe, pai, avó de 93 anos, irmãs, e o estimado irmão caçula). Um apaixonado declarado pelas suas origens, pela sua família e pela Tijuca – que faz questão de propagar em redes sociais. Formação católica (Marista, e Santo Inácio), advogado – assim como o Prefeito Eduardo Paes – e diplomata formado pelo Instituto Rio Branco, na turma Joaquim Nabuco (2007-2009). Concorreu por uma vaga como deputado federal, criando o importante movimento RIO DECIDE – para discutir a desfusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio. É um servidor do Estado brasileiro, trabalhou como advogado na Nokia e Petrobras, sempre na área de relações internacionais e chegou a Prefeitura do Rio através da Coordenaria de Relações Internacionais, sendo logo nomeado como Presidente da Rio 450 +. Quais destas experiências foram fundamentais para o caro secretário conseguir se encaixar perfeitamente dentro de uma Secretaria de Cultura da cidade vitrine do nosso país? O quanto da sua experiência anterior colaborou para tudo isso? Como, por exemplo, a sua campanha para Deputado Federal, em 2010, como Caléro (com assento) – 4560, onde a sua preocupação maior era em ser um defensor de nossa cidade na Câmara, além da atenção diferenciada com a juventude, com o voto consciente, a ficha limpa, a educação. Todas estas ações e vivências foram importantes para a sua nova experiência na Secretaria de Cultura? Esse seu grande olhar global e múltiplo, ao nosso município, advém daí?
Marcelo Calero e Ricardo Schöpke 05
Marcelo Calero – Minha mãe psicóloga, meu pai engenheiro, todos batalharam muito para comprar o seu primeiro apartamento na Rua Uruguai, esquina com Barão de Mesquita, na Tijuca. Foi uma vida de conforto, mas nunca luxo, sempre com muito sacrifício, sempre batalhando as coisas. Fui criado nesta lógica, e tenho grande preocupação com o meu aluguel até hoje, caso algo não dê certo, pois não tenho família rica. Pelo menos continuo ainda vinculado com o Itamaraty, o que me dá um pouco mais de tranquilidade. O que eu tento trazer é um pouco dessa normalidade sabe? Na administração. É isto que a gente carece no Brasil, de que pessoas comuns realmente se ocupem desse ônus público, desta atividade de fazer governo, de estar no governo, de estar liderando. Já dizia Santo Inácio: “Pior que o arrogante é aquele que não coloca as suas qualidades à serviço do outro”. Se um sujeito tem capacidade de liderar que ele então se proponha a ser político, ou se proponha a liderar na esfera pública, porque ele está colocando a sua qualidade a serviço do outro. A política é essencial, não adianta a gente ficar se revoltando, pregando boicote em eleições, isso não vai levar a nada, as eleições vão acontecer do mesmo jeito, serão eleitos pessoas para os cargos.  O que vale mesmo é incentivarmos pessoas comuns, que nasceram em famílias, digamos, comuns, que não são só famílias de políticos. Eu não tenho nada contra o cara vir de uma família de políticos, mas falo de pessoas que tenham crescido com dificuldades, que passaram por bons e maus momentos. Que tenham uma vida que saibam o preço das coisas do supermercado, que, se precisar pegar um trem, sabe que vai pegar um parador para Deodoro, ou vai pegar um 606 para ir ao Méier. Uma pessoa com uma vida regular. Claro que o cargo de secretário sempre traz alguns rituais, alguns protocolos né? Mas o mais importante é você sempre ter na cabeça que você está fazendo um serviço temporário, um serviço para a população, que você está colocando uma qualidade sua, que, no meu caso, é a capacidade de liderar processos e a capacidade de trabalho, a serviços de um projeto, no caso, melhorar a cultura da cidade do Rio de Janeiro, melhorar o ambiente cultural da cidade do Rio de Janeiro, para ser mais genérico. Sobre a desfusão da cidade da Guanabara – nossa, você pesquisou mesmo tudo (risos). Isso é uma tese. Eu não sei se hoje, realmente passados seis anos, eu tendo inclusive amadurecido em uma função pública, eu não sei se permaneceria mais na defesa dessa tese. O que acontece, é que na época havia ainda uma discussão, um estudo até capitaneado pelo Tribunal de Contas do Município sobre o tema, e tudo o mais, e eu encampei essa tese, eu achei que essa tese era correta, pois não houve um plesbicito à época, em 1975, quando houve a fusão dos dois estados. Na verdade, hoje existe uma corrente que diz que criou um estado inviável, a partir dessa fusão, por questões de ordem econômica. Na verdade, quem mais perdeu com isso foram as zonas periféricas, tanto do antigo estado da Guanabara, como o do antigo estado do Rio de Janeiro. Especialmente a Baixada Fluminense, que ficou meio como que um território, antes era um território prioritário para o estado do Rio, e passou a ser assim uma das novas prioridades do estado do Rio. Aí com reflexo na parte de esgoto, de saneamento, de segurança pública, de educação, enfim. Acho que a questão merece hoje um estudo atualizado, e desapaixonado. Eu sempre falo aqui, sempre quando tem um assunto aqui e eu vejo pessoas muito apaixonadas defendendo de um lado e do outro. Recentemente, eu tive uma experiência em uma situação com um dos museus que a gente administra, a coisa estava descambando já para uma coisa apaixonada da tese. Não dá certo Ricardo, a pessoa já toma aquilo como algo pessoal. Então deixa de ser uma discussão, um debate. É a tal coisa, a gente está aqui lidando com uma miríade de coisas, de assuntos, todos eles legítimos, demandas, se a gente realmente não estiver apto, ou pronto, à fazer uma autocensura, e uma autocrítica constante, você não consegue, no momento correto, fazer os desvios de rota necessários. E aí, voltando a questão da desfusão, da mesma forma, eu acho que o caso merece hoje uma discussão, um debate desapaixonado sobre o tema, pois as pessoas dizem que  o Rio é elitista, que ele quer se encastelar, não se trata disso, eu acho. Há provas, fora do Brasil, de várias regiões metropolitanas formadas por mais de dois estados, ou mais. Você pega, por exemplo, a região formada por Washington. Tem ali, se eu não me engano, três estados: Maryland, distrito de Columbia e mais um outro (Virgínia). E que são muito bem administrados, justamente por serem compartilhados por unidades federativas distintas, cada qual tem o seu orçamento para a gestão daquela região lá. Então, eu acho que é uma questão que vale a pena ser revisitada, séria de um estudo. Qual seria o impacto se nós fizéssemos esta desfusão, enfim, mas no momento, eu te confesso que eu não tenho tido muito tempo de me debruçar sobre isso.
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Ricardo Schöpke – Imagina (risos), eu só fiz questão mesmo de passar rapidamente neste assunto, pois eu fiquei bem curioso (risos), e também porque acredito que o seu estudo tão aprofundado sobre este tema tão rico à cidade, que você tinha como uma das prioridades em sua campanha como Deputado Federal, colaborou decisivamente para que você tivesse esse olhar bem mais abrangente, e múltiplo, para toda a nossa cidade, o nosso município, pois você ataca por todos os lados, de uma maneira tão fantástica. Podemos acreditar então que essa sua abrangência, por todos os cantos do Rio de Janeiro, levaram o caro Secretário a criar projetos, altamente prioritários, como o “Territorialização” e o “Fala Cultura!”
Marcelo Calero – Desde pequeno eu fui acostumado a circular muito pela cidade. Esse acho que é um dos maiores legados que a minha família pôde me dar. Primeiro essa paixão pela cidade do Rio, como você pode ver aqui na minha sala a gente tem bandeira do Rio, mapa do Rio, tudo do Rio. Eu brincava de linha de ônibus, ficava criando linha de ônibus. Meus avós paternos moravam em Sulacape na zona oeste, perto de Realengo. Meus avós maternos na Tijuca, eu morava na Tijuca e tinha tios na zona sul. Fui acostumado desde pequeno a circular pela cidade. E agora, me dá muito orgulho de poder circular pela cidade. Agora como Secretário de Cultura, aí a gente vê as necessidades. As vezes são pequenas coisas. Eu tenho feito gabinete itinerante agora. A partir daí a gente consegue ter um sentido das reais necessidades daqueles que fazem cultura pelo o Rio de Janeiro afora, a maioria deles, heróis.
Ricardo Schöpke- Todas as metas traçadas pelo caro Secretário foram alcançadas em seu primeiro ano de gestão, em 2015? O quê não foi possível realizar ainda, e o quê você considera como fundamental para se colocar em prática neste ano de 2016? O que faltou fazer? Tem alguma insatisfação com algum projeto não finalizado? Como por exemplo a ocupação da Rede Municipal de Teatros que vinha se arrastando, com dificuldades, desde a gestão anterior da Secretaria? Por falar nisso, como anda o processo de ocupação das Residências Artísticas na Rede Municipal de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura?
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Marcelo Calero – A gente teve um atraso importante aí na seleção das novas Residências Artísticas dos teatros. Isso me incomodou bastante pois foi um atraso que não dependeu de nós, o Tribunal de Contas que determinou, mas me causou muito estresse. O governo não é bom de pauta, não pautamos bem. Temos boa vontade, mas não somos bons para contratar, para pautar teatro. Somos bem ruins, mas para elaborar projetos temos boas ideias, e fazemos coisas bacanas. Eu compartilho muito da visão lá do Presidente do Sesc de São Paulo (Danilo Miranda), que ele fala que o Sesc serve para oferecer um bom teatro – em espaço físico -, e oferecer fomento para aqueles que vão produzir. Acho que a gente vai também por essa linha. Eventualmente a gente tem uma boa ideia, mas a nossa execução não é boa, porque a gente tem muitas limitações burocráticas. É por isso que nós temos as Residências de Teatro, por isso que a gente tem o Programa Fomento para o Teatro e por isso que nós estamos fazendo obras pelo Programa Recultura nos nossos equipamentos públicos. Porque é isso que nos compete. Ou seja, quando você entrar no Teatro Serrador, ele não é chiquérrimo, não é um Teatro Bradesco, que eu fui sábado e morri de inveja. Nem é o Teatro Casagrande. Não é, e não é para ser! O teatro público tem que ser um teatro digno. Ele tem que ter um bom ar-condicionado, tem que ter uma cadeira confortável, camarins bacanas, um banheiro bom, mas ele não tem como ser chique, porque a gente não tem dinheiro, a manutenção é caríssima, e aí você cria uma coisa falaciosa que, de repente, um teatro maravilhoso e os outros capengas. E até nessa obra do Serrador eu falava muito isso: o ótimo é inimigo do bom. Ah, vai ficar muito caro colocar carpete no teatro inteiro, então vamos colocar só nos corredores e depois a gente faz. Onde as pessoas sentam, bota um cimentado bonito, pintado, já está ótimo, pois não vai fazer diferença nenhuma. Esse é só um exemplo que me veio à cabeça agora. Então, as Residências dos Teatros me incomodaram muito, pois o TCM nos recomendou que suspendêssemos. O TCM demora muito a resolver as coisas, e com isso a gente só podia abrir os envelopes agora, os Residentes só vão poder assumir agora, e nessa brincadeira foi um ano. E passa assim. E isso eu ali em cima, eu mesmo fui pessoalmente ao TCM, umas duas reuniões, com conselheiros e tudo o mais. Mas eles não tiveram culpa, eles tiveram a melhor das boas vontades. E então uma coisa que quero completar são essas Residências, com a reformulação dos serviços que são prestados na Rede de Teatros. A gente quer consolidar várias coisas, às vezes a gente tem para o mesmo serviço 3 ou 4 contratos. Uma maluquice. Faz umas três semanas a gente definiu um cronograma de todos os serviços que são prestados nos teatros, naqueles que estão com os residentes, naqueles que ficaram conosco, as licitações que nós faremos para dar uma equalizada. Para que todos os contratos comecem juntos, para que todos os serviços estejam no mesmo escopo. Tudo isso a gente vai implementar agora nesse primeiro semestre.
Ricardo Schöpke – O que caberá aos Residentes e qual será a parte da Prefeitura neste novo formato de ocupação? 
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Marcelo Calero – O que a gente deixou bem claro nessa licitação é que tudo que é concernente à manutenção e conservação do teatro é da Secretaria: limpeza, segurança, serviços de limpar o ar-condicionado, poltronas, tudo isso é nosso. Com o Residente ficou o que a gente considera que são os serviços ligados a própria arte, que é luz e som, e os operadores. Porque, o que acontecia, é como eu te falava, nossos contratos são péssimos, os valores das licitações são sempre mais elevados do que a verdade, o mesmo dinheiro que a gente gastava em som e luz, o teatro particular – já foi feito esse estudo -, contrato o dobro, contrata luz e som melhor do que a gente contratava. Ainda tinha mais isso, como a gente fazia a licitação, era aquele pacote, se eventualmente o espetáculo que o Residente recebesse precisasse de mais luz e menos som, ou de mais luz e mais som, a gente não tinha condição de fornecer. Ficava o Residente querendo que a gente pagasse e a gente não tinha dinheiro, ou ficava a produção querendo que o Residente pagasse e ele não tinha dinheiro. Ninguém se entendia. Era sempre uma confusão. Isso gerava muito estresse e um tencionamento da relação desnecessário. Agora a gente está simplesmente pegando o dinheiro que a gente gastava e dando para o Residente, e ele vai dimensionar de acordo com a dinâmica do espaço dele. Tem espaços que as terças-feiras, por exemplo, embora esteja aberto, se presta mais a serviços com a comunidade: idosos do bairro que vão lá dia de semana produzir a sua arte e não precisam de som e luz nenhum, e no final de semana quando bomba, um som e luz mais potente. E por aí vai, de acordo com as vicissitudes. Então ficou assim som e luz com o Residente e mais o dinheiro que a gente dá para ele de fato fazer uma residência, ou seja, para ele chamar Cias de fora, para ele elaborar projetos. Há uma reclamação em relação a este dinheiro que a gente não pode infelizmente dar mais porque está no edital. Este é um ano especialmente difícil, tratando de equacionar da melhor forma possível, não sabemos ainda o que virá em termos de orçamento, embora o orçamento da Câmara tenha sido aprovado semelhante ao do ano passado, mas sabemos que devido as necessidades do país pode haver algum ajuste pois a Prefeitura assumiu muitas coisas do estado a Biblioteca Parque, cada hospital que a gente assumiu custa basicamente, 500 milhões, o orçamento da Secretaria. E claro que dinheiro a g ente não tira da cartola, ainda mais a gente que não tem papel moeda.
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Ricardo Schöpke- Foi um grande avanço a assinatura do decreto no. 41174, publicado no Diário Oficial do último dia 28 de dezembro, que protege os nossos teatros. A fiscalização será forte para coibir todas as ações indevidas contra os nossos edifícios teatrais? O Teatro Serrador é uma reposição ao Teatro Glória? E o fechamento do Jockey, diminuiu essa conta de novo para menos um teatro na Rede? Temos outros teatros em vista?
Marcelo Calero – Na realidade o Serrador veio originalmente para suprir o fechamento do Jockey, porque o Gloria no final da sua história ele tinha uma participação no Município mas ele não era mais um teatro municipal,  da Rede. Agora, quando a gente perde o Glória, claro, o Prefeito vai lá e edita o decreto da demolição, que foi em 2010. Foi aí que surgiu o primeiro decreto que dizia demolição. Qual a situação que a gente viu? Que esse decreto falando “demolição” ele não protegia uma série de situações, como, por exemplo, o Teatro Tônia Carrero, ele não estava sendo demolido, mas o melhor exemplo é o Fashion Mall, ele iria fechar, mas ao final a administradora do shopping conseguiu outra operadora. Mas olha o trabalho que a gente está fazendo Ricardo. A gente então sugeriu ao Prefeito que ele assinasse um decreto mais abrangente, que falasse simplesmente o seguinte, se quiser mudar o uso, já não pode. Porque demolir é muito restritivo. Então nesta história a gente conseguiu salvar o Fashion Mall e o Tônia Carrero a gente agora está numa briga. Como é que a gente fiscaliza isso? Contando com a população. A gente recebeu uma denúncia do Tonia Carrero. O trabalho de imprensa é sempre importante, mas nós temos a nossa fiscalização que é a Secretaria de Urbanismo. Estamos muito colados com eles. A Secretaria de Urbanismo é quem faz o licenciamento da obra, e ela sabe que quando se trata de licenciar uma obra que aconteça em teatro ela tem que ouvir a Secretaria de Cultura, principalmente pelo fato de que quem vai decidir é o Prefeito. Não sou eu. Eu dou o parecer. A Secretaria de Urbanismo já puxa aquele processo, tira-o da linha de produção, e traz para cá para a gente fazer o nosso parecer. O Teatro do Jockey, me dá pena, mas a gente pensa na cidade como um todo. O Teatro Jockey é um teatro que foi criado em 92, a partir de um edifício que estava vazio lá no Jockey e ele tinha muitas coisas erradas. Primeiro que a gente pagava um aluguel exorbitante, para você ter uma ideia eu pagava um aluguel exorbitante, o dobro do que eu pago no Serrador, segundo se você pensar em política de cultura, era um teatro que estava localizado na região da cidade que mais tem teatros públicos. Eram seis com o Teatro do Jockey (Teatro Maria Clara Machado, Teatro Café Pequeno, Espaço Cultural Municipal Sergio Porto, Baden Powel e Teatro Ipanema), então ele ficava mal-ajambrado. Em terceiro lugar, era um teatro que precisava de muitas reformas estruturais que o Jockey, tão pouco como locador, estava disposto a fazer. E ainda tinha uma quarta situação que me preocupava particularmente é que ele não tinha certificado dos bombeiros, por conta de não haver estas reformas, e sendo ele um teatro infantil. Então assim, eu falei, gente, eu não vou ficar com esse abacaxi aqui. Aí nós procuramos o Teatro do Jockey, e quisemos negociar com eles no seguinte sentido – detalhe, nós já investimos no teatro 1,2 milhões entre limpeza, segurança, sonorização e a residência artística da Karen Aciolly – era 1,3 milhões quase. Eu não vou investir 1,3 milhão e mais 600 mil de aluguel. Não faz sentido. Em um teatro de comodato, com um aluguel em comodato e eu continuo investindo a mesma coisa, e vamos combinar um cronograma, em 3 anos para vocês fazerem essas obras, e eu vou tomar aqui as medidas necessárias para que os bombeiros darem pelo menos uma licença provisória. Aí não houve acordo, o Jockey numa postura que eu entendo, bastante arrogante, não quis diálogo, não quis fazer um acordo. E até onde eu entendo, eles estão procurando um operador para o teatro, pois eles não podem dar outra função que não seja teatro, naquele espaço. Inclusive o que a gente faz também, quando a gente tem uma notícia que há um movimento de descaracterização de um teatro, a gente pró-ativamente manda ofícios tanto para a Secretaria de Ordem Pública, que é quem emite o alvará, quanto para a Secretaria de Urbanismo dizendo: …”olha, tivemos notícia de que o Teatro Fashion Mall será fechado.  Pedimos especial atenção à luz do decreto tal, é o que a gente tem feito. Então mesmo que, eventualmente, não acontece, mas venha a passar batido, a gente já avisa.
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Ricardo Schöpke- Há anos solicitamos aos fomentos uma atenção diferenciada – com editais diferenciados – ao teatro de pesquisa, com uma preocupação mais reflexiva e experimental nas ideias, e com menos projetos de cunho comercial, não apenas pelo valor da obra em si, mas porque eles se pagam com mais facilidade na bilheteria e possuem mais apelos e facilitações; e também ao teatro para a infância e juventude – onde de 40 projetos sempre temos 35 adultos escolhidos em detrimento de 5 infantis, em média. O caro secretário percebe essa necessidade de fomentar mais estas duas áreas de atuação?
Marcelo Calero – Eu acho que é assim: no Fomento da Cidade Olímpica a gente já conseguiu fazer modificações muito importantes, até com esse novo corpo de jurados, e com isso a gente conseguiu abarcar uma diversidade, seja geográfica ou temática, como jamais outro edital da secretaria fez. Agora, a parte disso, nós estamos fazendo um longo debate nos dias 15 e 16 de fevereiro, a gente está chamando de Fomento Presente lá no Museu do Amanhã. Quem está coordenando este evento é a Eliane Costa – ex-gerente de patrocínios da Petrobras -, e a ideia é que a gente debata em três meses questões importantes sobre o Fomento, e que vão balizar o Fomento da Prefeitura em 2016. E será aberto à classe artística e a quem quiser se inscrever. E o bacana disso é que nós estamos com uma grande preocupação em fazer que esse Fomento reflita as preocupações das políticas públicas de cultura, entre elas a valorização dos processos de formação. Ou seja, você poder dar dinheiro para uma Cia, você dar dinheiro para um espetáculo experimental, e por que isso? Porque a gente acredita que isso é a base justamente do fato de nós podermos nos reinventar. Eu sempre falo isso, o maior atributo da cultura carioca é saber renovar-se. Se a gente não alimenta justamente esses processos de formação, você atrapalha essa renovação, principalmente o processo estético, de linguagem. A nossa ideia é que a partir deste debate, e eu vou deixar isso bem claro, que vai ser um debate mesmo, não é uma prestação de contas da secretaria, não quero que se torne uma cobrança, quero que seja uma conversa entre pessoas imbuídas de espírito público que querem fazer o melhor. Então a partir desta conversa, eu quero realmente conseguir tirar elementos e conclusões para a gente poder no Fomento deste ano, que vale para este ano e o ano que vem, ter uma perspectiva melhor em relação aos processos de formação, de a gente poder realmente dar mais dinheiro. Em relação aos espetáculos infantis, eu acho que o que vale realmente é a gente mudar um pouco o perfil do corpo de jurados, porque a gente tem uma linha para o teatro infantil, de espetáculos para infância. No ano passado foi 1 milhão só para esta linha. A minha preocupação é que se a gente tem uma linha temática para a infância, que a gente tenha um corpo de jurados capaz de escolher os melhores espetáculos. A gente tem sofrido muitas reclamações que os espetáculos que foram escolhidos no Fomento anterior não têm qualidade. Eu acho o seguinte, que a opinião se é bom ou se é ruim é muito subjetivo. Não me fio muito nisso. Sempre haverá quem reclame, mas é preciso estar atento. Não é também o caso de desqualificar eles, de dizer reclamam por quê? Reclamam sempre? Qual é a raiz da crítica? De repente, o corpo dos jurados não foi bem selecionado. No ano passado a gente fez esse programa de Fomento, e eu diria que até assim na pressa, no sentido que o país já vivia os sintomas de uma crise econômica bem aguda, a gente sabia que as empresas estatais estavam ausentes das suas políticas de incentivo cultura às artes, então nós quisemos lançar o edital logo, para as pessoas terem o dinheiro logo, para fazerem a produção cultural da cidade girar. Este ano nós tomamos a decisão de fazer um processo mais complexo que vai ser fruto inclusive deste debate, onde as pessoas vão custar mais a receber, mas a gente vai ganhar em qualidade.
Ricardo Schöpke – Como foi para a SMC o retorno da Conexão ISS? Um dos projetos mais importantes, já realizados, no segmento da intermediação de projetos de leis. Um verdadeiro marco, este primeiro passo para a classe artística e para os empresários. Houve uma preocupação em acompanhar a evolução das rodadas de negócios? Como foi o retorno dos produtores? Das empresas? Já foi possível fazer uma análise do evento? Ele poderá entrar no calendário anual da SMC, e com reformulações sobre o tempo das rodadas, dias do evento, e de um acompanhamento mais direto aos projetos escolhidos para a Conexão ISS?
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Marcelo Calero – Eu acho que a gente precisa rever esse projeto. Eu tive o retorno sim, e não foi bom. Acho que neste ano que entra agora a gente vai tentar fazer algo diferente, em mais dias, mais tempo. Colocando empresas que realmente estejam dispostas a escutar e que não esteja ali para fazer figuração. Empresas que realmente guardem uma cota do seu dinheiro para investir de fato nos projetos. A ideia foi boa, uma referência, o nosso pessoal foi bacana. O nosso pessoal do Fomento é um pessoal de entrega. Que se entrega. Para este ano, com a experiência do ano passado acho que a gente consegue adaptar e fazer melhor. Acho que esse é o caminho. Fazer com que as pessoas conversem com as empresas.
Ricardo Schöpke – São tantos projetos realizados pela Secretaria Municipal de Cultura, em todas as áreas e em todos os segmentos culturais – o grande mérito desta gestão. Principalmente inúmeros projetos vinculados ao ano olímpico (Fomento Cidade Olímpica – projetos culturais em instituições culturais públicas, em instituições culturais privada, Temporada popular, Apoio à produção independente e manifestações populares e Apoio a projetos culturais para pessoa com deficiência – Arte Sem Limites -, o Viva o Talento – ações culturais para ativação dos equipamentos municipais em 4 linhas: Música, Dança, Multilinguagem e Ações educativas -, Ações locais Cidade Olímpica – com o objetivo de estimular o processo de territorialização da Cultura, desburocratizando o processo de participação -, e Pontos de Cultura Cidade Olímpica). A SMC promete uma vasta programação cultural em diversos pontos da cidade. O que faz com que o município do Rio de Janeiro, ao contrário de todas as cidades do Brasil – incluindo aí todas as cidades do próprio estado do Rio de Janeiro -, pareça não ter sido afetado pela grande crise que assola o país neste momento? De onde provêm estas verbas? Isto é o resultado de uma boa administração municipal? De arrecadação? De uma Prefeitura que sabe a importância da arte e o seu retorno na opinião pública? De uma gestão responsável? Qual será o orçamento de 2016? Iremos atingir de fato os nossos tão sonhados 1,0% em investimentos? 
Marcelo Calero – A gente já chegou a 1% Ricardo e não foi de hoje. Por exemplo, a Cidade das Artes está conosco. É um investimento em cultura. Tem uma fundação própria, assim como o Planetário, tem uma fundação própria. E elas estão coligados à Secretaria. E mais do que isso, quando a gente fala em 1% a gente tem sempre que lembrar o orçamento da Prefeitura hoje é de 7 bilhões, aí você tem que tirar as despesas obrigatórias, aí você fica com o orçamento mesmo. Neste sentido a gente tem esse 1% de novo esse ano, se Deus quiser, já em orçamento. A razão disso, claro, o Prefeito já vem de um governo de 7 anos, ele administrou essa parte financeira como poucos fizeram no Brasil, e se valendo de criatividade, por exemplo, as obras no Porto Maravilha não tem um tostão de dinheiro público. Como é que ele fez? Ele criou as cotas Cepacs, que são “Certificados de Possiblidade de Construção”, vendeu para os bancos, os bancos compraram a ideia, que eles poderiam construir a longo prazo – pois era um investimento que eles estavam fazendo -, e com este montante ele usou o dinheiro para a cultura, para fazer o Museu, para fazer todas as obras, para fazer o VLT, ele criou o dinheiro. Acho que é isso que avaliza a administração financeira dele, não adianta você ficar ali naquela tabelinha, bem conservadora, de entradas e saídas, você tem que procurar multiplicar essas entradas de maneira criativa. Aqui na cultura mesmo, a gente conseguiu atrair parceiros, claro que o nosso campo de ação é bem menor, mas, por exemplo, para o Museu da Cidade, a gente conseguiu atrair parceiros privados para participar conosco da reabertura. Nossos projetos com as bibliotecas municipais que a gente está abrindo um projeto de revitalização, e que vamos lançar em breve, o Itaú está conosco, a Estácio está conosco. É isso, é você criar dinâmicas, é criar parcerias.
Ricardo Schöpke
Paisagem 01
Ricardo Schöpke – Como será a logística do Passaporte Cultural Cidade Olímpica? Além de fomentar a cultura em todos os segmentos, haverá uma integração de trabalho maciço entre as produções e a Secretaria Municipal de Cultura, como por exemplo, uma agenda bem organizada, definida, divulgada com antecedência, com folders elucidativos, algum catálogo do evento, ou cada uma das produções ficará responsável pelo seu trabalho individualmente? Poderemos ver uma agenda efervescente de fato? Todas as experiências anteriores, com eventos de grande porte mundial, foram muito frustrantes para a cidade do Rio de Janeiro, com zero de cultura: Panamericano 2007 e Copa do Mudo de 2014.
Marcelo Calero – O que acontece; a gente vai ter uma plataforma na internet, a pessoa vai lá e se inscreve, e bota o endereço do Rio e vai receber o passaporte em casa. Ou ela vai na Cinelândia ou na Alvorada e vai ter lá um quiosque onde a pessoa vai se inscrever, se cadastrar, e ela sai com o passaporte. O Secretário nos mostra o protótipo dele, que é igual a um passaporte de viagem, de verdade – e ela sai com um guia de programação. E vai ter também o aplicativo, e o site, igual tivemos no Rio 450. Que a pessoa vai ali botar a geo-referência, quero saber eventos, nos próximos dias, perto de onde eu estou. Aí vai vir uma lista. A gente está dividindo em 12 linguagens, eu acho. Porque todos os eventos nós estamos chamando de ‘Circuito Cultural Cidade Olímpica’, que dividimos por 5 regiões e 12 linguagens. Como por exemplo, quero teatro na AP 5 na zona oeste, quero dança na Tijuca, na zona sul, aí ela vai e clica. Isso se provou, por exemplo, com o passaporte dos museus cariocas. O Museu da Chácara do Céu teve um aumento de visitação de mais de 150%, e  a diretora veio me falar que certamente não era porque a gente tinha gratuidade, pois o valor do ingresso só custa 2 reis. O que acontece é que a pessoa passou a ter um “papelzinho” onde tinha o serviço, horário, o custo, e ela ficou estimulada a completar o carimbo do passaporte. Eu sempre brinco que para a gente a Olímpiada já passou. Tudo que eu precisava fazer, escolher os projetos, escolher as licitações, todo este arcabouço que o governo precisava fazer já está pronto.
Ricardo Schöpke – Quais são os seus planos após a sua gestão na SMC? Existe a possiblidade de você continuar na Secretaria, caso o Pedro Paulo, candidato do Prefeito Eduardo Paes, se confirme como o novo Prefeito do Rio? Apesar do pouco tempo na SMC, podemos perceber o seu excelente potencial para gerir cargos bastante elevados na política nacional, e até mesmo a ser um candidato a Prefeito do Rio de Janeiro, futuramente. O caro secretário pensa neste futuro próximo, em uma possiblidade de alcançar estes cargos, na política nacional? Quais são os seus planos para o futuro? O caro secretário se candidatando teria o meu voto, com toda a certeza. Pode contar comigo para panfletar, e ser um de seus cabos eleitorais (risos). 
Marcelo Calero 01
Marcelo Calero – Muito obrigado pela confiança Ricardo. Eu tenho muita admiração pelo Pedro Paulo. Na verdade, as pessoas têm pouca vivência dessa coisa nossa de Prefeitura. O Prefeito ocupadíssimo do jeito que ele é, e é ao Pedro Paulo que a gente recorre nessas ocasiões. Meu projeto de curto prazo é ajudar o Pedro Paulo. Primeiro, vou continuar trabalhando pela cultura carioca, esse é o primeiro projeto de todos, depois fazer com que a gente possa ter uma candidatura do Pedro Paulo que represente realmente a cidade. A gente sabe que ele passou aí por um momento complicado, e tudo o mais, mas eu também acho que as pessoas têm o direito de errar e começar a vida. Ele recomeçou uma nova vida, casou com uma mulher incrível que é nossa amiga, teve dois filhos lindos, recomeçou a vida. Mas eu sou um Diplomata. Como dizia Vinícius de Moraes, eu sou um diplomata, é a minha profissão, quem garante o pagamento do meu aluguel é o Itamaraty. Eu estou sempre neste espírito, de um dia voltar na carreira. Não sei se isso vai acontecer cedo ou tarde, mas é isso, meu plano de voo agora é fazer uma gestão bacana, é fazer as entregas, que a gente tem, é muita coisa para fazer Ricardo, muita coisa mesmo. Agora, até a Feira de São Cristóvão pertence à Secretaria. Tudo o que a gente está fazendo aqui é muito grande, é muita coisa, é muita gente, é muito trabalho, muito trabalho braçal, escrever, de ligar, de articular, é muita coisa. Eu tenho ainda muita coisa para fazer e tenho esse compromisso com a candidatura do Pedro Paulo, e pela causa do Prefeito também com o Pedro Paulo. Eu acredito no Pedro Paulo pelo trabalho que a gente vem desenvolvendo junto, é você criar uma relação de confiança, assim como você Ricardo, tem confiança em mim. Graças a Deus, eles têm confiança em mim, eu tenho muita confiança no Pedro Paulo e eu sei que ele vai ser um grande Prefeito para a cidade do Rio de Janeiro.

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