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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Uma história de amor e trevas

Nathalie Portman convenceu o autor do livro a vender-lhe dos direitos à hora do chá, demorou oito anos a escrever o argumento e teve de ser ela a protagonista por não ter orçamento para contratar uma estrela de Hollywood. O primeiro filme que a atriz realiza estreia esta quinta-feira. 
Neta-Lee Hershlag é a protagonista, argumentista e realizadora de “Uma História de Amor e Trevas”. Não faz ideia de quem estamos a falar? Pense melhor. Neta-Lee é agora Natalie e Hershlag foi substituído por Portman (o nome de solteira da avó paterna).
Este filme — que estreia em Portugal esta quinta-feira, 17 de março —, é muito mais do que a estreia da atriz de 34 anos na realização, é um projeto pessoal e uma homenagem aos seus antepassados que demorou quase uma década a ser concretizado.

Baseada na autobiografia do israelita Amos Oz, a história passa-se em Jerusalém nos últimos anos do Mandato Britânico na Palestina (uma comissão que geriu a região entre 1920 e 1948) e nos primeiros anos da independência de Israel.

Depois da publicação do livro, em 2002, o autor recebeu duas propostas para uma adaptação para o cinema. Recusou sempre porque os argumentos explicavam demasiado as coisas.

Natalie Portman, que nasceu em Jerusalém a 9 de junho de 1981, conseguiu convencê-lo numa tarde em que se encontro com Amos Oz e a mulher para beber chá. A Portman o escritor pediu apenas duas coisas:

"Uma era que eu não tentasse explicar porque é que a mãe dele fez o que fez [suicidou-se quando o filho tinha 12 anos]. Não há explicação e ao mesmo tempo há milhões de explicações. Ninguém sabe porquê. A segunda coisa que me disse foi que o livro já existe e que eu teria de fazer a minha própria obra e não um filme do livro", contou a atriz em Cannes.

Na história, ela é Fania, a mãe. Ainda assim, ela nunca quis ser a protagonista do seu próprio filme mas depressa percebeu que não tinha alternativa. Não tinha orçamento para contratar uma estrela de Hollywood e uma atriz desconhecida de Israel não ajudaria a promover um filme já por si só tão pouco comercial.

"Lembro-me de em miúda ler sobre o facto de Barbra Streisand dirigir os seus próprios filmes, as pessoas escreviam que eram apenas projetos de vaidade. Mas depois apercebi-me de que era uma coisa que nunca diriam dos homens a dirigirem-se a eles próprios."

A atriz demorou oito anos a escrever o argumento e a tentar arranjar financiamento para o projeto. Durante esse tempo todo nunca desistiu da ideia de filmar apenas em hebraico.

Essa vontade criou-lhe outra dificuldade. Para eliminar qualquer vestígio de sotaque norte-americano, Natalie Portman foi muito perfecionista e teve aulas para manter a "incrível poesia e magia" da língua. 

Em 2004 passou uma temporada em Jerusalém para fazer algumas cadeiras na Universidade Hebraica

Contudo, não começou do zero, já que a língua e a cultura sempre fizeram parte da sua vida. Natalie Portman é a única filha da norte-americana Shelley Stevens, que agora trabalha como sua agente, e de Avner Hershlag, um ginecologista e especialista em fertilidade israelita.

Os pais conheceram-se na universidade de Ohio, nos Estados Unidos, mas acabaram por se casar em Israel. Foi aí que a atriz nasceu e viveu até aos três anos, antes da família se mudar definitivamente para os EUA.

Tal como os bisavós que morreram em Auschwitz, os avós maternos que trocaram a Áustria e a Rússia pelos Estados Unidos, e os avós paternos que fugiram da Polónia para a Palestina, Portman segue a religião judaica. Tem dupla nacionalidade mas já disse em diversas ocasiões que há um país do qual se sente mais próxima:

"Eu adoro os Estados Unidos mas o meu coração está em Jerusalém. É lá que me sinto em casa."

Até aos 18 anos sempre estudou em escolas judaicas, tanto em Washington D.C. como em Long Island, onde viveu, aprendendo assim a falar fluentemente hebraico.

Estudou ballet e dança contemporânea em Nova Iorque mas foi aceite em Harvard para estudar Psicologia. Em 2004 passou uma temporada em Jerusalém para fazer algumas cadeiras na Universidade Hebraica.

Em 2005, a história dos seus antepassados levou-a a aceitar um dos seus papéis mais famosos, Evey em "V de Vingança”.

"Ser de Israel foi uma das razões porque quis fazer isso. O terrorismo e a violência ocupam grande parte das minhas conversas diárias desde que sou pequena."

Em 2006, Natalie Portman disse que gostaria de um dia educar os seus filhos no judaísmo, embora só viesse a ser mãe em 2011 — Aleph Portman-Millepied nasceu a 14 de junho. Nesse ano também, a 4 de agosto, casou-se com o francês Benjamin Millepied (coreógrafo que conheceu nas filmagens de "Cisne Negro”) numa cerimónia judaica em Big Sur, na Califórnia. Em janeiro de 2014, ele disse que se estava a converter à religião.

Antes de chegar às salas de todo o mundo, “Uma História de Amor e Trevas” foi exibido em Cannes e selecionado para a secção de Apresentações Especiais do Festival Internacional de Cinema de Toronto. As críticas não foram todas positivas, destacando o facto de não se perceber bem se a personagem principal é amos Oz ou a mãe, mas foram unânimes no “compromisso” de Natalie Portman “demonstrar uma ligação com a sua terra natal”.

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