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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Delação premiada de Marcelo Odebrecht confirma: Lula recebeu pagamento em espécie da empresa

Valor Econômico 15/12/2016
André Guilherme Vieira

Cassiano Rosário//Futura Press/Folhapress
Marcelo Odebrecht: empresário depõe em delação premiada desde segunda
Durante seus depoimentos prestados em delação premiada à Operação Lava-Jato, o herdeiro e ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, confirmou aos procuradores a realização de pagamentos, inclusive em espécie, destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apurou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor.
O empresário afirmou, nos depoimentos que estão compondo as páginas de seus termos de delação premiada, que os valores destinados a Lula tiveram origem no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, um departamento dedicado ao controle das propinas pagas pelo grupo de empresas a políticos e a servidores públicos, revelado no início do ano com a delação premiada da ex-secretária do executivo, Maria Lúcia Guimarães Tavares.
Em nota, a defesa de Lula disse que não comenta "especulação de delação" e que, na avaliação dos advogados que representam o ex-presidente, nenhuma das 23 testemunhas selecionadas pelo Ministério Público Federal na ação penal a que Lula responde por suposta ocultação de propriedade de um tríplex, no Guarujá, "confirmou qualquer das teses acusatórias.
versão narrada por Marcelo Odebrecht vai ao encontro da linha de investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) do Paraná na Operação Lava-Jato.
Para a PF e o Ministério Público Federal (MPF), os documentos do departamento de propinas indicam pagamentos que somariam R$ 23 milhões a Lula, dos quais R$ 8 milhões teriam sido pagos em 2012, "sob solicitação e coordenação de [Antonio] Palocci", afirma o relatório policial de indiciamento do ex-ministro nos governos do PT, que está preso e responde por corrupção e lavagem de dinheiro. Marcelo Odebrecht também teria explicado a destinação dada aos R$ 15 milhões restantes.
A investigação aponta ainda que o codinome "amigo" relacionado em planilhas de pagamentos da Odebrecht seria uma referência ao ex-presidente.
O apelido aparece também em trocas de e-mails e mensagens de Marcelo Odebrecht como "amigo de EO" e "amigo de meu pai". Trataria-se de uma referência à amizade mantida por Lula com Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, que prestou seu primeiro depoimento em delação premiada na Operação Lava-Jato ontem, na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília.
Marcelo Odebrecht começou a falar em delação premiada na segunda-feira, no edifício da PF de Curitiba. Seus depoimentos estão sendo registrados em vídeo.
Na terça-feira o empresário prestou o depoimento mais longo até agora. Começou às 9 horas e só foi encerrado às 19 horas. Contou com apenas uma pausa - de duas horas - para o almoço.
Marcelo tem falado com os procuradores na presença de dois de seus advogados. Os depoimentos têm contado com a participação de ao menos quatro procuradores e acontecem em salas localizadas no segundo piso do prédio da PF em Curitiba. Na terça-feira os depoimentos ocorreram na sala 209, atendendo a um pedido do criminalista Luciano Feldens.

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