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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Eduardo Campos avança sobre o Senado


Raquel Ulhôa*

Um número cada vez maior de senadores mostra interesse na candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República. O movimento está longe de significar compromisso de apoio ao PSB em 2014, mas mostra a procura por alternativa à polarização entre petistas e tucanos.
Em momento de garimpagem de palanques, o Senado é terra fértil. Cada senador, em tese, é potencial candidato a governador ou à reeleição no Senado e pode garantir a formação de chapa majoritária. Por isso, o assédio de aliados de Campos sobre senadores é grande e tem encontrado reciprocidade.
Ele é visto como novidade no cenário político, com marca de bom gestor e simpatia do empresariado. Mas os senadores cobram que ele "diga a que veio" e explique como um aliado do governo PT quer disputar com a presidente Dilma Rousseff. Buscam um discurso convincente ao eleitorado.
Cresce interesse pelo candidato do PSB entre senadores
O governador, que começa hoje a aparecer nas inserções comerciais nacionais do PSB no rádio e na televisão, reconhece avanços das gestões Lula e Dilma, mas aponta problemas sociais, econômicos e de infraestrutura e defende um avanço maior. "Não vamos renegar que participamos desse processo. Nosso discurso é pós-cíclico", definiu certa vez.
Na terça-feira, 16, Campos poderá expor suas ideias em dois compromissos com senadores. Um almoço com integrantes do Bloco "União e Força" (PTB, PR, PSC, PPL e PR) e um jantar organizado por Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), para o qual foram convidados nove senadores (PMDB, PDT, PP e DEM).
O convite a Campos para o almoço com o bloco partiu de Armando Monteiro (PTB-PE), aliado do governador. "O ambiente é de crescente simpatia à candidatura dele", diz. Teve apoio de Blairo Maggi (PR-MT), que não esconde o entusiasmo. "Temos de ouvi-lo. Uma democracia pressupõe alternância de poder. Como isso vai evoluir, depende de muitos fatores."
O líder do bloco é Gim Argello (PTB-DF), "amigo" e eleitor de Dilma. Ele resistiu a chamar Campos e minimiza o encontro, lembrando que vários ministros e autoridades participam dos almoços semanais do bloco. Mas ele anda insatisfeito com o PT, que no Distrito Federal está negociando chapa para 2014 sem sua participação.
Dissidente do PMDB, Jarbas desistiu da aliança com o PSDB. Além da questão política local, alega que a falta de unidade do PSDB torna inviável a candidatura de Aécio Neves. Como um dos principais articuladores de Campos, quer aproximá-lo de grupos de senadores e, nessa tarefa, conta com a ajuda de Waldemir Moka (PMDB-MS).
O PMDB do Mato Grosso do Sul também era aliado do PSDB, mas os tucanos romperam a histórica aliança. Outros pemedebistas estão na lista de convidados de Jarbas, como Ricardo Ferraço (ES), Luiz Henrique (SC) e Casildo Maldaner (SC). Os catarinenses apoiaram o tucano José Serra, mas agora se aproximaram de Dilma.
Luiz Henrique disse que não irá ao jantar. Mas outros pemedebistas do Estado dizem que, como o PT local mostra intenção de lançar chapa pura em 2014, não há como descartar qualquer opção para o Planalto.
Pedro Simon (RS) pediu um encontro reservado com Campos e foi atendido. O governador visitou-o em seu gabinete. Na conversa, o gaúcho disse que o avô do governador, Miguel Arraes, estaria orgulhoso dele hoje.
Além de Maggi (que não poderá ir, porque tem viagem oficial à China), Moka, Ferraço e os catarinenses, foram convidados para o jantar Ana Amélia (PP-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF), Pedro Taques (PDT-MT) e Jayme Campos (DEM-MT). Todos simpáticos à candidatura de Campos.
Ana Amélia, que vem sendo cotada para disputar o governo do Rio Grande do Sul, esteve com o pernambucano em Porto Alegre na segunda-feira, na festa de aniversário do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que reuniu duas mil pessoas. Em discurso, a senadora elogiou Campos, a quem definiu como "político jovem e talentoso, que areja e traz novas ideias à política brasileira".
O pedetista Pedro Taques, que pode concorrer ao governo em 2014, considera importante a participação de Campos na eleição, "para superar a dicotomia PSDB X PT".
Mas a defesa mais contundente de Campos partiu de Cristovam. Para ele, esgotou-se o ciclo de governos do PSDB e do PT. E os quatro pilares desse ciclo entraram em crise: democracia, estabilidade monetária, programas de transferência de renda e a busca do crescimento econômico. "Por isso acho tão importante uma candidatura como a de Eduardo Campos, que traga nova visão de futuro para o Brasil e faça inflexão nesse rumo dos últimos 20 anos, que está esgotado."
Os quatro senadores do PSB não foram chamados para o jantar, já que o objetivo é tornar Campos conhecido. Também ficaram de fora senadores que estão se aproximando de Campos, como Sérgio Petecão (PSD), que quer disputar o governo do Acre. Se precisar, Jarbas fará outros encontros. Pelas últimas conversas, hoje seriam 17 os senadores que mostram simpatia pela candidatura do PSB.
Até na bancada do PSDB, em conversas reservadas, há quem defenda que o partido abra mão da disputa e ocupe a vice de Campos. No DEM, o presidente nacional e líder no Senado, José Agripino (RN), articula a manutenção da aliança com o PSDB, em torno de Aécio Neves. Mas as eleições passadas deixaram insatisfações de demistas com o PSDB em vários Estados. E o trabalho de Agripino enfrenta resistência em setores do partido.
Por enquanto, o viés da candidatura de Campos é de alta. Mas, se fatos novos surgirem e Campos for contaminado por denúncias de irregularidades e práticas políticas tradicionais, como uso da máquina pública para propaganda pessoal, ele perderá força e os curiosos de hoje deverão retomar as parcerias antigas.
Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília. Escreve mensalmente às quinta-feiras
E-mail: raquel.ulhoa@valor.com.br

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