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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PSB sinaliza entrega de cargos sem lançar-se a 2014 ou romper com Dilma

Raymundo Costa
Alan Marques/Folhapress / Alan Marques/Folhapress
O governador de Pernambuco e virtual candidato do PSB a presidente da República, Eduardo Campos, convocou a Executiva Nacional do partido para uma reunião "extraordinária e urgente" na manhã de hoje, em Brasília. O PSB vai formalizar a entrega dos cargos que detém no governo, mas nem romperá com a presidente Dilma Rousseff, nem vai antecipar o anúncio da candidatura presidencial de Campos às eleições de 2014.
Em nota a ser divulgada, após a reunião, o PSB deve dizer que é um partido histórico (foi criado em 1945) e que nunca pautou a relação e o apoio que dá ao governo em troca de cargos. Ao ser convidado para compor o ministério, após a eleição de 2010, o PSB também informou à presidente que apoiaria seu governo, independentemente de cargos.
Campos reuniu-se ontem com integrantes da Executiva Nacional, líderes do PSB no Congresso e governadores do partido que se encontravam em Brasília para discutir a situação do partido nos Estados, às vésperas do fim do prazo de filiação de candidatos às eleições de 2014, e a conjuntura política. À saída, insistiu que somente em 2014 tratará de sua eventual candidatura, como já declarara anteriormente, e informou que convocara a Executiva Nacional para discutir a relação do PSB com o governo Dilma.
Além de uma dezena de cargos em órgãos como o Sudene e Dnocs, são dois os ministérios ocupados pelo PSB: o da Integração Nacional e o de Portos. O primeiro é ocupado por um aliado de Campos, o ministro Fernando Bezerra Coelho, que está licenciado para uma cirurgia nos olhos e talvez nem volte mais ao cargo. O segundo é ocupado pelo ministro Leônidas Cristino, indicado pelo grupo controlado pelo governador do Ceará, Cid Gomes, e pelo ex-ministro Ciro Gomes.
O governador cearense estava ontem à tarde em Brasília, mas não compareceu à reunião. Embora tenham, ao longo dos últimos meses, divergido de Eduardo Campos, ontem à noite os irmãos Gomes enviaram sinais de que poderiam apoiar a decisão, pois também divergem da forma como o PSB vem sendo tratado nas últimas semanas pelo PT e pelo governo.
Se os irmãos Gomes ou outros integrantes do partido resistirem à entrega dos cargos, após a decisão ser formalizada pelo PSB, Campos deve dar um ultimato: ou cumprem a decisão ou deixam o partido.
"Estivemos juntos com o PT em todas as eleições presidenciais, nas derrotas e nas vitórias. Agora, se eles acham que estamos atrapalhando mais que contribuindo, podem pegar os cargos de volta. Não temos apego a isso", disse o presidente do diretório do PSB de Minas Gerais, Júlio Delgado. Segundo Delgado, a definição do partido sobre a candidatura à presidência da República de Campos ocorreria, internamente, apenas em janeiro, mas a inabilidade política do PT pode antecipar esse processo. "Queríamos definir 2014 em 2014, mas eles querem discutir isso agora", criticou.
Ontem à noite havia dúvidas sobre a forma como o PSB faria a entrega dos cargos. O partido poderia simplesmente dizer que a competência de nomear e demitir ministros é da presidente da República. Ou seja, colocar os cargos à disposição. Mas o noticiário segundo o qual o PSB perderia os cargos, se insistisse com a candidatura Campos, que os dirigentes do partido atribuem ao Palácio do Planalto, mudou definitivamente o humor dos pessebistas.
As cobranças de Dilma, do PT e do PMDB, que reivindica parte do espaço do PSB, se tornaram mais forte depois que os jornais publicaram, semana passada, a fotografia de um encontro de Campos com o senador Aécio Neves, o virtual candidato do PSDB à Presidência. A própria Dilma ficou irritada com a fotografia, na qual Campos e Aécio se cumprimentam sorridentes. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda tentou contemporizar, pois prefere Campos ao lado do PT, em eventual segundo turno em 2014, que ao lado da oposição.
Campos não abre mão de deixar a definição de sua candidatura para 2014, nem de manter um tom crítico em relação ao governo que apoia.
A decisão do PSB ainda depende do referendo de um colégio que certamente será maior que a Executiva Nacional: para a reunião de hoje foram convidados também os deputados e senadores que integram as bancadas na Câmara e no Senado, respectivamente, e os seis governadores eleitos pelo PSB em 2010. Ontem, apenas Renato Casagrande (ES) e Ricardo Coutinho (PB) compareceram à reunião, além do próprio Campos.
Há divergência, no partido, em relação à entrega dos cargos, no momento. Mas há também quem defenda o rompimento. Campos decidiu formalizar a decisão, na instância partidária competente, para depois poder cobrar seu cumprimento. (Colaboraram Murillo Camarotto, do Recife, e Andrea Jubé, de Brasília)
Veja também: Contraponto

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